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Professores e policiais civis aprovam greve geral no Rio Grande do Sul

 

Em mais um capítulo da crise no Rio Grande do Sul,professores, funcionários da saúde e policiais civis resolveram parar, por três dias, em protesto contra o governo de José Ivo Sartori (PMDB). Policiais militares também aderiram ao movimento.

Em assembleia realizada na tarde desta terça (18), os servidores públicos aprovaram a greve geral –os policiais militares, que são proibidos por lei de fazer greve, decidiram iniciar uma “operação­padrão”: não vão sair as ruas em veículos com documentação irregular (com multas ou IPVA vencidos) nem coletes salva­vidas fora do prazo de validade.

“Os carros irregulares não vão sair e são muitos”, afirmou presidente da Associação dos Policiais de Nível Médio da Brigada Militar, Leonel Lucas.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que compreende a situação dos servidores e que mantêm o “diálogo aberto”. Em nota, o órgão diz “plena confiança de que o efetivo manterá o atendimento à população”.

Em rápido pronunciamento no final da tarde desta terça, o governador afirmou que irá descontar os dias parados dos salários dos grevistas. “Já determinei aos secretários que presença será presença, e falta será falta”, afirmou o peemedebista. Ele pediu ainda que os servidores não suspendam as atividades “pelo bem do povo gaúcho”.

Os funcionários públicos protestam contra o parcelamento de salários, congelamento dos reajustes e mudanças naaposentadoria. As medidas são iniciativas de Sartori para enfrentar a crise do Estado que resultou nobloqueio das contas pelo governo federal por causa do atraso do pagamento da dívida com a União.

Na segunda­feira retrasada (3), os servidores fizeram uma paralisação de 24 horas. Na ocasião, a população sofreu com a redução do policiamento nas ruas de Porto Alegre –o que deve voltar a acontecer nesta quarta, quinta (20) e sexta (21).

MANIFESTAÇÃO

Cerca de 50 mil servidores, segundo a organização do protesto, marcharam em direção ao Palácio do Piratini, sede do governo. Os manifestantes cantavam frases de efeito como “Sartori não te bobeia, tu vai parar na cadeia”.

Policias civis seguravam cruzes pretas simbolizando a “morte da segurança pública”.

Das janelas, moradores aplaudiam e jogavam pedaços de papel picado.

“A população entende o nosso lado. Não temos as mínimas condições de trabalho”, diz a escrivã de polícia Marisa Santana, 54.

“Temos de trabalhar como a lei determina, por isso faremos a operação­padrão. Se a polícia para, quem sofre é o povo”, diz o tenente da Brigada Militar (a PM gaúcha), Márcio Costa, 46.

Centenas de servidores entraram na Assembleia, invadindo corredores e o plenários. O objetivo é pressionar os deputados para que não aprovem o pacote de Sartori com congelamento de salários, extinção de fundações e aumento de impostos. Os deputados têm mais duas semanas de prazo para votar os projetos.

CRISE

Os servidores temem um novo atraso no pagamento dos salários, como ocorreu em julho. Na ocasião, o governo Sartori pagou em dia somente os funcionários com salário até R$ 2.150. O restante foi pago com 12 dias de atraso, antecipando uma terceira parcela para evitar uma intervenção federal no Estado.

O STF decidiu que o governo gaúcho não poderia parcelar os vencimentos –o governo tenta um recurso. As contas do Estado estão bloqueadas por atraso no pagamento da dívida com a União.

Apesar de ser o quarto Estado mais rico do país e ter bons indicadores sociais, o Rio Grande do Sul convive há anos com alguns dos piores números das finanças públicas no país –por isso, é chamado de a “Grécia brasileira”.

É o Estado mais endividado, está na lanterna no ranking de investimentos e permanece entre os líderes de gastos com pessoal no país.

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