GRUPO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO & MERLEAU-PONTY (GEMPO)

Portal do GPMSE/GEMPO: Estudos Educação e Merleau-Ponty

CARLOS ALBERTO REYES MALDONADO partiu ontem…

Carlos Alberto Reyes Maldonado

Considerações acerca da passagem do Professor Dr. Maldonado

                                                                       Luiz Augusto Passos

Entre infinitas realizações de um sonhador compulsivo e obsessivo, Maldonado deixa uma saudade enorme no coração da população mais oprimida. Ela era a destinatária dos seus sonhos de educador apaixonado, voltado ao ‘deslimite’ tal como o conceberia Manoel de Barros.

Onde quer que estivesse, fosse nos CAMPI da UPC, nos Círculos de Cultura, nas rodas do “loucos por educação”, entre os alunos e Educadores do Araguaia, entre indígenas que institucionalizam o seu Conselho Municipal de Educação Indígena, nos programas de TV TERMINAL e PIXÉ, no Centro de Direitos Humanos D. Máximo Biennés, nas bibliotecas SABER COM SABOR, as bandinhas livres  que tocavam nos espaços da praça, para a população dançar, nos Programas Educativos na Rua voltados à Paz junto a projetos da Unesco, na produção do Filme da história das coartisentes da UPC, na concepção de ter instrumentos legais com responsabilização formal do gestor que não dissesse quem são, onde moram, endereço, nome, idade, das pessoas adultas analfabeta,  no projeto das cidades educadoras, o projeto de intercambio entre alunos das escolas urbanas com alunos das aldeias.

Eu sempre o defini como um visionário. Só os profestas o foram, porque estavam com seu corpo, dentro do corpo dos outros sofridos, e sabiam de suas dores, e utopias. Uma pessoa humana tocada a coração: frágil. Quando Mario Sérgio Cortella anunciou a morte de Paulo Freire disse uma frase extraordinária: “Paulo Freire morreu da única coisa que o poderia ter matado: o coração.” Não é diferente de Maldonado. Maldonado seguiu o mesmo caminho, se irmanou na mesma morte.

Sua grandeza é imemorável. Só o tempo dirá. Estas pessoas são produndas demais para podermos compreender a reverberação de sua morte. Haverá um cisma entre o silenciamento indecente e proibitivo e o que virá.

Há uma semana recebi uma solicitação de mencionar um projeto concebido de forma inteira e articulada, no qual a metodologia científica e rigorosa, do ponto de vista epistêmico se somava aos interesses na emancipação. Era solicitação de uma universidade do Paraná. Lembrei-os da UPC, e há dois dias atrás havia escrito um capítulo juntamente com a professora Rosângela Carneiro Góes cujo capítulo chamava Manhas e artimanhas… Era uma das histórias da UPC. Encaminhei e recebi o entusiasmo desta pessoas pesquisadores e pesquisadoras desejando algum projeto considerado como consolidado, no quanto durou….

O conjunto de pessoas que estiveram com Maldonado, ao lado e no apoio, também foram imensas. A UPC foi expressiva em sua apresentação com os artisentes e coartisentes, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Moacir Gadotti escreveu sobre esta experiência, muito comentada pelo professor Boaventura de Souza Santos. Por óbvio, um programa deste cunho emancipatório e popular é temido, e não raro desarticulado, quando as formas de estado democrático entendem uma ‘democracia’ autoritária.

Maldonado teve a sapiência de colocar políticas públicas que foram depois aplicadas em outros lugares, e ainda se constitui em uma grande utopia fecunda. As utopias são efêmeras, mas pegajosas. E o que veio depois não conseguiu se livrar de dimensões que anunciam o direito, a justiça e a participação.

Figura apaixonante, com sua forma simples, o mesmo de sempre, onde estivesse, sem qualquer pretensão de ser melhor ou mais inteligente. Ainda assim, deve-se considerar como um “intelectual clássico”, enciclopédico e que mudou estrutural e politicamente a ação do ‘Estado’ enquanto nele esteve como gestor, no que tangia de mais crucial, o apoio à educação popular. Defendeu arduamente todo projeto  emancipatório, buscando sempre a justiça e as formas que estruturalmente pudessem revolucionar a ação das pessoas entre elas com todas as outras…   Devemos não apena o reconhecimento do feito, mas a coragem de empreender coisas realizadas, e radicalizar nos projetos educacionais criativos, sob hegemonia da população oprimida, que são, em último análise, para Paulo Freire e Para Maldonado, os protagonistas de sua própria educação. O céu ficará mais dinâmico com sua presença, e os arcanjos adorarão dançar o Siriri, ao redor do mochinho de Deus! 

Ao Maldonado nosso compromisso com seus sonhos que são os sonhos das maiorias! Que sempre foram os sonhos deles…

                                                                  Luiz Augusto Passos

 

30/01/2016 – 09:37

Morre Carlos Maldonado, idealizador da Unemat e ex-secretário de Educação de MT

Da Redação – Jardel P. Arruda e Ronaldo Pacheco

A esquerda, Carlos Alberto Maldonado

O professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) Carlos Alberto Reyes Maldonado, 54, morreu na manhã desta sábado (30), em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral em um hospital de Cuiabá. Ele foi um dos mais importantes militantes da educação de Mato Grosso na década de 1990 e 2000. Formado em Direito pela USP, Maldonado atuava há quase 30 anos na Unemat como professor de Ciências Sociais, junto ao curso de Direito no Campus de Cáceres. As últimas homenagens serão prestadas ainda neste sábado na Câmara Municipal de Cáceres (220 km a Oeste), município onde residia.

Leia mais:

Primeiro reitor eleito e um dos idealizadores da Unemat, criada a partir do Instituto de Ensino Superior de Cáceres, Maldonado foi secretário de educação de Cuiabá e do Estado, entre 1996 e 2004, nas gestões do também já falecido Dante de Oliveira e Roberto França, ambos então membros do PSBD.
Também foi um dos principais mentores da escola ciclada e era defensor da criação do Estado do Pantanal a partir das regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que compreendem as planícies pantaneiras. Para ele, uma unidade federativa sustentada pela União seria a única forma de preservar o ecossistema, que é único em nível mundial.

Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (1982), Maldonado construí boa parte de sua carreira como educador em Cáceres. O corpo deve ser transladado para o município fronteiriço ainda neste final de semana.
O Governo do Estado lamentou o falecimento e emitiu nota de pesar e destaca a importância de sua contribuição a educação em Mato Grosso. Confira a íntegra:
“O governador Pedro Taques lamenta profundamente a morte do ex-reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), professor Carlos Maldonado. Maldonado teve papel importante para o processo de fundação da Unemat e também deu a Mato Grosso sua contribuição como secretário de Estado de Educação e ao município de Cuiabá, onde também atuou como secretário Municipal de Educação.  O ex-reitor faleceu neste sábado (30.01), vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em Cuiabá. As últimas homenagens serão prestadas neste sábado na Câmara Municipal de Cáceres (220 km a Oeste), município onde residia”. 

A reitora da Unemat, professora Ana Di Renzo, decretou luto oficial por três dias e disse lamentar profundamente a perda. “A Unemat  chora a morte do seu idealizador, mas a lembrança de que acreditar na utopia é condição para a mudança acontecer ficará para sempre no coração daqueles que com ele aprenderam a compreender o mundo. Maldonado tem seu nome impresso profundamente na história da nossa universidade”, disse a reitora. O campus Jane Vanini, onde o professor atuava também decretou luto oficial por três dias.
Notícias | 06/07/2006

OUTRAS INFORMAÇÕES

Reconhecido por um conjunto de intelectuais de peso da academia internacional e do Brasil, no último encontro que presenciei entre o Reitor da Universidade de Siegen (Alemanha) , ele definia: ´”É um gênio, é um gênio…”

Universidade Popular Comunitária do Mato Grosso, é tema de trabalhos na Academia:

http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/118220/barros_ap_tcc_rcla.pdf?sequence=1A aluna do programa de pós-graduação em Educação do Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria de Fátima da Silva, fará a defesa pública da dissertação de mestrado, hoje (6), às 18 horas, no campus Herbert de Souza, da Universidade Popular Comunitária (UPC), no bairro Osmar Cabral, próximo à igreja católica. Orientada pelo professor doutor, Luiz Augusto Passos, a mestranda defenderá a dissertação ´´Universidade Popular Comunitária – da solidão à solidariedade. Tramas de educação e trabalho. Além do orientador, fazem parte da banca examinadora a professora doutora, Lia Tiriba, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e os professores doutores Darci Secchi e Nicanor Palhares Sá. Mais informações pelo telefone (65) 3615 8431.

Aluno do programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Antonio Marcos Passos realizada a defesa de sua dissertação intitulada: “Universidade Popular Comunitária: Um outra educação é possível”

GOES, Carneiro e Passos, Luiz Augusto. 

Professor Carlo Alberto Reyes Maldonado

“Possuia graduação em Direito pela Universidade de São Paulo (1982), ingressou em pós-graduações na USP e UFMT (mestrado) e na Universidade de Siegen – Alemanha (doutorado), sem entretanto concluir qualquer dos cursos. Atualmente é funcionário estatutário da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT. Tinha experiência na área de Educação, com ênfase em Políticas Públicas de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: politicas publicas da educação, gestão publica da educação, ensino superior, educação de adultos, inovações educacionais”.

Em 30 de Janeiro, deste ano, apontava no Diário de Cuiabá foi publicado sua entrevista:

ECA: UM RUMO SEM PORTO

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=12331

 

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