GRUPO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO & MERLEAU-PONTY (GEMPO)

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AUMENTO DA VIOLÊNCIA DOS FAZENDEIROS CONTRA INDÍGENAS

Data: 03/02/2016 18:01

 

Assunto: Tensão devido ao aumento da violência contra os Kaiowa e Guarani em MS

 

Car@s,

 

Grande parte de vocês devem estar acompanhando mais uma vez uma sucessão de ataques violentos dos ruralistas aos acampamentos de retomada dos Kaiowa e dos Guarani no Mato Grosso do Sul. Desde o início do ano tem crescido a ofensiva aos acampamentos localizados na região de Caarapó, Juti e Amambai, que vão desde a emissão de inseticida aplicados nas monoculturas de soja e cana contra as famílias de Te´’ýijusu em Caarapó, chegando até os ataques à tiros e queima dos barracos de lona em Kurusu Ambá, Amambai, onde as famílias aguardam pela demarcação.

 

Escreve este e-mail e peço ampla circulação devido o aumento da tensão provocada pela ação dos ruralistas em destruir os vestígios do último ataque no dia 31/01 quando incendiaram os barracos, destruíram os pequenos roçados e utensílios domésticos. Ontem 02/02 o servidores da Coordenação Regional da FUNAI em Ponta Porã e Coordenação Técnica Local de Amambaí estiveram lá e viram os ruralistas utilizarem máquinas agrícolas para revirar o solo, no intuito de atrapalhar algum possível trabalho de investigação pericial. Os servidores estivem sem escolta policial, mesmo tendo requisitado, visto que os ruralistas estavam armados, assim como seus “seguranças”. A avaliação é que os ruralistas estão criando meios de expulsar os índios do interior da fazenda Barra Bonita e deixá-los expostos as margens da estrada fronteiriça. Hoje, 03/02, os relatos dos servidores da FUNAI dão conta a ação de queima e destruição dos vestígios foi feita na frente deles e contando ao impunidade visto que até pela manhã de hoje não tinha chegado ainda nenhuma força de segurança pública.

 

Em conversa com as lideranças do Aty Guasu da região de Dourados, Juti e Amambai o temor deles é que durante o período do carnaval, no feriado, os ataques se intensifiquem, visto que grandes partes das pessoas que atuam nos serviços de justiça e segurança pública não estão em plantão, ocorra ação violentas como visto em outras situações. Conversando com uma liderança da retomada de Lechucha, município de Juti, ela relatou que o arrendatário da fazendo procurou seu irmão para comunicar que ele estaria retirando os funcionários da fazenda porque os proprietários da região estiveram reunidos e planejando ação de intimidação contra as famílias, como uma retaliação à extinção da CPI do CIMI. Ao entrar em contato com outra liderança de Kurusu Amba, Le disse que havia falado hoje com o delegado da PF de Ponta Porã que disse que iria enviar agentes para verificar. A liderança de Kurusu Amba disse que se ocorresse alguma morte iriam responsabilizar a PF. Falei com Dep. Pedro Kemp (PT-MS) que compunha a CPI CIMI, que disse ter comunicado pela manhã o delegado da PF e que a tarde se reuniria com os procuradores federais e com o Superintendente da PF-MS.

 

De modo geral este cenário já está sendo veiculado pelas assessorias de imprensa do CIMI e de outros meios de comunicação, mas o apelo das lideranças do Aty Guasu é para que façamos as noticias chegarem aos mais amplos parceiros visto que o temor de novos e mais intensos ataques é grande com a chegada de um feriado prolongado. Os indígenas pedem a presença da PF e da Força Nacional de Segurança porque não confiam na atuação das forças de segurança regionais. Deste modo, peço desculpas pelos erros gramaticais e ortográficos, mas circulem as notícias para que possamos pressionar o MJ a agir.

Diógenes E. Cariaga

Doutorando em Antropologia Social

 

NEPI/PPGAS/UFSC

Florianópolis

 

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