GRUPO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO & MERLEAU-PONTY (GEMPO)

Portal do GPMSE/GEMPO: Estudos Educação e Merleau-Ponty

O Brasil e a corresponsabilidade na avaliação dos Direitos Humanos

INFORME DH

 ARTICULAÇÃO PARA O MONITORAMENTO DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL

Porto Alegre                          Julho de 2015                                No 025

O INFORME DHESC é um instrumento que objetiva difundir as informações sobre os processos de construção do Relatório Periódico dos Direitos Humanos no Brasil e do Informe Paralelo da Sociedade Civil sobre o cumprimento do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC).

Sua circulação está voltada para as organizações, entidades e movimentos que fazem parte da rede responsável pela elaboração de tais documentos/instrumentos.

 

  Monitoramento dos DH no Brasil

1. Oficinas/Audiências Estaduais

Conforme agenda planejada conjuntamente no primeiro semestre do ano passado (2014), estamos chegando ao final de mais um ciclo da rodada de audiências e oficinas realizadas nos Estados Brasileiros. Até o momento foram realizadas oficinas em 20 Estados e a perspectiva é que até final de setembro possamos fechar o ciclo nos estados onde ainda não aconteceram as oficinas e audiências.

2. Próximas oficinas já marcadas:

 - Curitiba/PR – dias 31 de julho e 01 de agosto – Contato organização da atividade: Plataforma DH (secretaria@plataformadh.org.br; comunicação@plataformadh.org.br);

 

- Palmas/TO – dia 21 de agosto – Contato organização da atividade: CDH de Palmas (cdhdepalmas@gmail.com; fatimadouradosilva@gmail.com);

O resultado do processo nos Estados tem sido muito importante como consulta sobre a situação dos DH e da implementação do PIDESC pelo Estado Brasileiro, e os debates e relatórios estaduais servirão como subsídio para contribuir com a construção do III Informe Paralelo do PIDESC. Por outro lado, tem sido um momento muito importante para perceber a necessidade de reaproximação e rearticulação dos parceiros acerca de agendas comuns. Neste sentido, em vários Estados, além do diagnóstico geral sobre a situação dos DH, as audiências/oficinas tem sido um momento de provocação para uma agenda comum entre os parceiros da sociedade civil e também de visibilidade e interlocução e pressão política junto aos órgãos públicos e institucionais nos Estados.

III Informe Paralelo do PIDESC

Conforme orientado e definido pelas redes que coordenam o projeto e pelas organizações e redes parceiras que participaram da oficina nacional realizada em fevereiro de 2014, o III Informe Paralelo do PIDESC será composto por três partes. Na primeira parte do Informe serão tratados temas gerais e estruturantes da realidade brasileira que estão na base e são originárias das violações de direitos humanos no Brasil; na segunda parte serão tratados dos direitos previstos nos artigos do PIDESC, atentando-se também para as recomendações emitidas ao Estado Brasileiro pelo Comitê DESC ONU, no ano de 2009; na terceira parte o Informe tratará de temas urgentes e emergentes que caracterizam violações de direitos humanos e que estão relacionados com comunidades e grupos específicos, mas que não necessariamente estão contemplados de forma direta no PIDESC e nem nas recomendações emitidas pelo Comitê DESC ONU. A construção do III Informe foi assim composta no sentido de contemplar o que o processo de monitoramento da implementação do PIDESC demanda, mas também de pautar temas e aspectos relativos às violações de direitos humanos que são fundamentais para a sociedade civil brasileira e para a luta em defesa dos direitos humanos no Brasil.

A construção do III Informe levará em conta os resultados das oficinas/audiências realizadas nos estados; os resultados das consultas direcionais às organizações parceiras do processo sobre temas e direitos específicos; além do Informe Oficial do Estado Brasileiro se o mesmo já estiver pronto durante o processo de construção do III Informe Paralelo e pesquisa de dados e informações nacionais e estaduais.

Todo o processo de sistematização do III Informe será coordenado pela equipe da coordenação do projeto, contando com a contribuição de especialistas e pessoas ligadas às organizações e movimentos parceiros, e deverá ser composto por momentos de elaboração e consultas para validação do texto final. Cronograma: A previsão é que até janeiro de 2016 tenha-se a primeira versão integral do texto pronta; que no mês de fevereiro e primeira quinzena de março de 2016 o texto seja disponibilizado para consulta pública e acolhimento de sugestões e questões para o texto final do III Informe; que na segunda quinzena de março e no mês de abril de 2016 tenhamos o documento final pronto para publicação; maio de 2016, editoração e impressão do III Informe; lançamento nacional no início de junho de 2016 e entrega ao Comitê DESC; distribuição do III Informe para lançamentos estaduais na sequência. Esta é a previsão da agenda por agora!

3. Interlocução Política

No âmbito da interlocução política referente ao processo de monitoramento da implementação do PIDESC pelo Estado Brasileiro, como já manifesto em outros momentos, a iniciativa conjunta já vem mantendo diálogo com a SDH – responsável pela construção do Informe Oficial do Estado Brasileiro – desde 2012. De lá para cá foram três audiências com a Ministra Maria do Rosário e Ideli Salvatti, entre outros momentos de interlocução conjunta com outros órgãos públicos federais e contatos via ofícios. Nesta última semana a SDH nos informou que o texto final do Informe Oficial seria encaminhado pela SDH até o final de julho, para aprovação do documento junto à CASA CIVIL. A iniciativa conjunta está em contato direto com o avançar da agenda e estamos prevendo uma audiência junto à Casa Civil para que o governo dê importância e celeridade à entrega do Informe Oficial ao Comitê DESC ONU o mais breve possível.

Por outro lado, já abrimos diálogo com a secretaria executiva do Comitê DESC ONU, em Genebra, informando-lhes sobre o processo que vem sendo realizado pela sociedade civil através desta iniciativa conjunta, prevendo a entrega do Informe Paralelo da Sociedade Civil até final do primeiro semestre de 2016, e ao mesmo tempo comunicamos que estamos monitorando e pressionando o governo brasileiro para que entregue o Informe Oficial ainda este ano de 2015. Também estamos em contato e diálogo com a FIAN Internacional que é parceira histórica neste processo de preparação da agenda em Genebra, à qual disponibilizou-se em auxiliar-nos durante o próximo período de preparação da agenda. O Brasil somente entrará na agenda de audiências do Comitê DESC ONU, após a entrega do Informe Oficial. Logo, neste próximo período intensificaremos a interlocução junto ao governo brasileiro para o encaminhamento do documento o mais breve possível!

Sigamos em frente e os vamos mantendo informados sobre o andar da agenda!

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Expediente:

Secretaria do Projeto

Secretário: Enéias da Rosa

E-mail: secretaria.dhesc@gmail.com

e eneias_2@hotmail.com

Endereço: Rua liberdade, 255 – Apto 201.

Rio Branco – Porto Alegre /RS. CEP: 90420-090

Fone: (51)30129874/ 81410084

 Especialistas Colaboradores

Paulo César Carbonari (MNDH)

carbonari@ifibe.edu.br

Fone: (54) 91756042

 

Maria Elena Rodriguez (IBASE)

mariaele.rodriguez@gmail.com

Fone: (21)986739414

 

Cultura Bororo e educação: Cultura escolar cerceia cultura indígena

Fonte: FAPEMAT CIÊNCIA:

Cultura Bororo e educação
Dissertação mostra que modelo do sistema escolar cerceia educação

Imposição da forma de se organizar socialmente dos não-­índios é um dos principais problemas. O modelo mantém, inclusive, a colonização indígena.

18/07/2015 10:43

 A Educação é constantemente apontada como solução para os problemas da sociedade, tanto em nível comportamental, cognitivo, quanto social. O que tem sido praticado no Brasil é uma padronização do sistema de ensino, mesmo que a Constituição Federal preveja que a cultura local seja valorizada, a exemplo dos artigos 210 e 215.

A avaliação é do mestre e indígena Bororo, Félix Rondon Adugo Enawu. Esse modelo educacional foi tema de dissertação defendida por ele na última terça [14], intitulada Saberes e fazeres autóctones do povo Bororo: contribuição para a educação escolar intercultural indígena, pelo mestrado em Educação, da UFMT.

Félix é coordenador da educação indígena de Mato Grosso e conhece a realidade das 43 etnias existentes no Estado. O conteúdo do trabalho, apesar de voltado aos Bororos, serve para reflexão do sistema de ensino de todos os indígenas.

O mestre explica que a escola desconsidera os valores autóctones dos Bororos, ou seja, os saberes e fazeres pertencentes àquele povo, originários daquele território. Enquanto a cultura Bororo prioriza a vivência de forma humanizada, a educação tradicional apenas treinaria as pessoas, não ensinando a amar um ao outro, a ter cuidado. “Isso precisa ser resgatado”, defende.

Os anciãos, que seriam a referência para o ensinamento das tradições, têm sido deixados de lado pelos mais jovens, que não estão mais focados nos saberes e fazeres locais. “Se isso fosse trabalhado nas escolas, as pessoas teriam muito mais sentimentos de pertencer ao povo e querer ajudar um ao outro. Mas não acontece isso. Hoje, nas aldeias, é um querendo ser mais que o outro, pois é isso que a educação escolarizada ensina, é assim que ela educa”, critica.

Mesmo as aulas sendo ofertadas por indígenas formados, a cultura educacional dos não­índios, chamada de intercultural, acaba se sobrepondo à local. “Mesmo os professores sendo indígenas, receberam essa forma de ensinar. É uma educação da cultura de fora. E continua sendo uma forma de colonizar”, acredita.
A orientadora da pesquisa, professora Beleni Grando, vai além e aponta que o texto é uma reflexão crítica sobre a aprendizagem, que no povo Bororo acontece no fazer, é nele que está a ciência e tecnologia deles. “Na integração você deixa de ser quem você é para pertencer ao meu grupo”, salienta ao se referir ao modelo educacional difundido nas aldeias.

Novo modelo

Félix deixa claro que o intuito não é banir as escolas das aldeias. Pelo contrário, os povos querem aprender. Ele aponta apenas que a forma de ministrar é que deve mudar, assim como a estrutura e organização da instituição.
Ele exemplifica expondo como as aldeias Bororo são organizadas. Como mostra a imagem a seguir, as ocas são dispostas em círculo. Este é dividido em quatro clãs. Todo clã tem um chefe. Eles, juntos, organizam toda a situação social da aldeia. As pontas verticais seriam as interferências espirituais.

A escola, por sua vez, ensina a ter um chefe com o poder e só uma pessoa toma decisão, gere e tem autoridade para falar e comandar. No povo Bororo não é assim. Na aldeia, todos os clãs tomam e participam das decisões.

Dessa forma, segundo Félix, a primeira coisa a ser mudada é a forma de gerir a escola, para que se adeque a administração ao estilo das convicções daquele povo.

Governo

Conforme Félix, várias leis federais garantem essa valorização das tradições. Elas, contudo, precisam ser regulamentadas em Mato Grosso. Para tanto, necessita passar pela Assembleia Legislativa, mas o pesquisador afirma que não há deputados que apoiem as mudanças. No final do ano passado foi aprovado o Plano Estadual de Educação, que valerá pelos próximos dez anos, e nele todas essas questões deveriam estar previstas. O documento, neste mês de julho, sofreu alterações sem passar por discussões com a população e consulta ao Sindicato representante dos professores, o Sintep, como ocorreu com a primeira versão.
“O Plano que eles fazem é geral, mas Mato Grosso tem 43 povos. Como que um plano geral vai dar conta de 43 povos que têm línguas diferentes, hábitos diferentes, crenças diferentes. Porque a crença precisa estar junto na educação”, ressalta Félix.

Momento histórico

Pela primeira vez, o mestrado em Educação forma um pesquisador da etnia Bororo. A orientadora de Félix, professora Beleni Grando, enquanto o apresentava, fez questão de dizer que ele não entrou no mestrado por meio de cota, mas sim pelo processo seletivo normal.
Pela primeira vez também anciãos desse povo participaram da defesa, e a presença só não foi pelo fato de o restante ter ficado em um funeral, cerimônia importante para eles. Os Bororos habitavam a região de Cuiabá antes dos não-­índios chegarem. O nome da capital e a cultural local têm relação direta com essa etnia, também conhecida como Povo Boe.
Grupo indígena bororo

Grupo indígena bororo

Fizeram parte da banca examinadora os professores Luiz Augusto Passos [UFMT], Paulo Isaac[UFMT] e Vilma Aparecida de Pinho [UFPA]. Passos, em sua fala, afirma que os não-­índios precisam aprender com os Bororos, pois estão perdidos no meio social. “Nossa civilização é de morte e sem perspectiva. Sociedade que não deu certo e não dará. E quem carrega o peso são os indígenas, quilombolas, ciganos e a população empobrecida”.

Vilma concorda com a conclusão do trabalho realizado por Félix em afirmar que a educação indígena precisa ser repensada. “A educação escolar indígena não atende as necessidades daquele povo”. Paulo, por sua vez, aponta que o trabalho se atentou para questões essenciais, mas que, devido ao seu estado ainda de encantamento pelo trabalho realizado, não pode expressar análise criteriosa do conteúdo do texto dissertativo.

Ritual

A defesa da dissertação começou com um ritual típico Bororo, chamado Awararefe. Segundo Félix, o rito é voltado àqueles que ficam longe por muito tempo. O choro da anciã Beatriz Kiga, mãe alma da sua aldeia, e a fala do irmão Kleber Meritororeu retratam o sofrimento com o frio, cansaço, poeira nos olhos e tudo que se andou para estar ali. “Félix trava guerra consigo e é mais difícil que a guerra com os livros e escrita. Se libertar da educação que sempre recebeu é difícil”, diz Kleber, ao falar do choque cultural inevitável, principalmente devido à intervenção Católica, por meio dos Salesianos, na vida indígena.
No final da defesa teve outro ritual, dessa vez para Félix mostrar que é Bororo. “Estava de camisa e gravata, mas sou um Bororo que está recebendo título de mestre”, reforça. Acompanhe parte do momento no vídeo abaixo.

BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS: TESTES FATAIS

Boaventura de Souza Santos

Boaventura de Souza Santos

Boaventura de Sousa Santos Visão 23 Julho 2015 Testes fatais A Europa transformou-se num laboratório do futuro. O que nele se experimenta deve causar preocupação a qualquer democrata e, muito mais, a qualquer pessoa de esquerda. Duas experiências estão em curso em ambiente laboratorial, isto é, supostamente controlado. A primeira experiência é um teste de stress à democracia. A hipótese que orienta o teste é a seguinte: a deliberação democrática de um país forte pode sobrepor-se antidemocraticamente à deliberação democrática de um país fraco sem que tal altere a normalidade da vida política europeia. As condições para o êxito desta experiência são três: controlar a opinião pública de modo a que os interesses nacionais do país mais forte sejam convertidos no interesse comum da zona euro; dispor de um conjunto de instituições não eleitas (Eurogrupo, BCE, FMI, Comissão Europeia) capazes de neutralizar e punir qualquer deliberação democrática que desobedeça ao diktat do país dominante; demonizar o país mais fraco de modo a que não suscite nenhuma simpatia junto dos eleitores dos restantes países europeus, especialmente junto dos eleitores dos países candidatos a desobedecer. A Grécia é a cobaia desta tenebrosa experiência. Trata-se do segundo exercício de ocupação colonial do século XXI (o primeiro foi a Missão de Estabilização da ONU no Haiti a partir de 2004), um colonialismo de tipo novo, executado com o consentimento do país ocupado, ainda que sob inaudita chantagem. E, tal como o velho colonialismo, justificado como servindo o melhor interesse do país ocupado. A experiência está em curso e os resultados do teste de stress são incertos. Ao contrário dos laboratórios, as sociedades não são ambientes 2 controlados, por maior que seja a pressão para os controlar. Uma coisa é certa, depois desta experiência, qualquer que seja o seu resultado, a Europa não será mais a Europa da paz, da coesão social e da democracia. Será o epicentro de um novo despotismo ocidental, rivalizando em crueldade com o despotismo oriental estudado por Karl Marx e Max Weber. A segunda experiência em curso é um exercício sobre a solução final para a esquerda europeia. A hipótese que orienta esta experiência é a seguinte: não há lugar na Europa para a esquerda na medida em que esta reivindicar a existência de uma alternativa às políticas de austeridade impostas pelo país dominante. As condições para o êxito desta experiência são três. A primeira consiste em provocar a derrota preventiva dos partidos de esquerda punindo de maneira brutal o primeiro que tentar desobedecer. A segunda consiste em criar nos eleitores a ideia de que os partidos de esquerda não os representam. Até agora, a ideia de que “os representantes não nos representam” era uma bandeira do movimento dos indignados e do Occupy contra os partidos de direita e seus aliados. Depois de o Syriza ser forçado a beber o cálice da cicuta austeritária apesar do “não” do referendo grego que ele próprio apoiara, os eleitores serão levados a concluir que, afinal, também os partidos de esquerda não os representam. A terceira condição consiste em armadilhar a esquerda em falsas opções entre falsos Planos A e Planos B. Nos últimos anos, a esquerda dividiu-se entre os que pensam que é melhor permanecer no euro e os que pensam que é melhor sair do euro. Ilusão: nenhum país pode optar por sair ordenadamente do euro, mas, se desobedecer, será expulso e o caos desabará implacavelmente sobre ele. Passa-se o mesmo com a restruturação da dívida que até agora tanto dividiu a esquerda. Ilusão: a restruturação ocorrerá quando tal servir os interesses dos credores e é por isso que mais esta bandeira de alguma esquerda se transforma agora numa política do FMI. 3 Também os resultados desta experiência são incertos e pelas mesmas razões acima referidas. Uma coisa é certa: para sobreviver a esta experiência, a esquerda terá de se refundar para além do que é hoje imaginável. Tal envolverá muita coragem, muita audácia e muita criatividade.

 

 
Livros recentes. Libros más recientes. Recent books. Derniers livres.
If God Were a Human Rights Activist (Stanford University Press, 2015); Epistemologies of the South. Justice against Epistemicide (Paradigm Publishers, 2014); Revueltas de Indignación y Otras Conversas (La Paz, 2015); O Direito dos Oprimidos (Editora Almedina/Editora Cortez, 2014); A Justiça Popular em Cabo Verde (Editora Almedina/Editora Cortez, 2015).

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
Janeiro-Julho (January-July)
Centro de Estudos Sociais
Colégio de S. Jerónimo
Apartado 3087
3000-995 Coimbra, PORTUGAL
Tel.: (351 – 239) 855582
Fax: (351 – 239) 855589

Agosto-Dezembro (August-December)
University of Wisconsin-Madison
Law School, 975 Bascom Mall
Madison, WI 53706
E.U.A
Phone: (1- 608) 263 7414
Fax: (1 – 608) 262 5485

EMAIL: bsantos@ces.uc.pt

http://www.boaventuradesousasantos.pt

Alice project: http://alice.ces.uc.pt

http://www.ces.uc.pt

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A deficiência de sal
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José Alberto Moreno e Eliete M. M. Fagundes
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Repertório Homeopático – TOMO I – PROMOÇÃO: R$ 99,00 por R$ 77,00
Willian O. Boericke
Robe Editorial. São Paulo
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Matéria Médica Pura de Hahnemann – (C-D) – Vol. II
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Matéria Médica Pura de Hahnemann – (N-R) – Vol. IV
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Repertorio Homeopático Pediátrico
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Retalhos Homeopáticos – Vol. II
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O Moderno Organon da Arte de Curar – PROMOÇÃO
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Pequenos Grandes Remédios Drenadores Miasmáticos – Vol. II
Eliete M. M. Fagundes
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Pequenos Grandes Remédios Miasmáticos – Vol. II
Eliete M. M. Fagundes
Editora Hipocrática Hahnemanniana, 1ª ed. – 2009
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Preço: R$ 45,00
QUANTIDADE: 10
Retalhos Homeopáticos – Vol. I
Eliete M. M. Fagundes
Editora Hipocrática Hahnemannianna – 4ª ED. – BH/MG – 2013
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Retalhos Homeopáticos – Vol. III
Eliete M. M. Fagundes
Editora Hipocrática Hahnemannianna – 2ª ED. – BH/MG – 2012
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Preço: R$ 35,00
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Trajetória da Homeopatia
Rogério A. F. Pires
Robe IHJTK 1ª Edição, 1998
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Laudo indica que não houve tiro em aeronave!

Tumiritinga

Tumiritinga

 

TUMIRITINGA Hipótese foi descartada pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos; acidente aconteceu na última terça-feira Acidente aconteceu na última terça-feira PUBLICADO EM 19/07/15 – 18h46 FOLHAPRESS A hipótese de que o avião que caiu após sobrevoar uma área invadida por famílias sem-terra em Tumiritinga, no nordeste de Minas Gerais, na última terça-feira (14), tenha sido abatido por tiros pelos integrantes do movimento foi descartada pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) do Rio de Janeiro, órgão ligado à Aeronáutica. VEJA TAMBÉM Prefeito morto em queda de avião é enterrado em Central de Minas Integrantes do MST são ouvidos após queda de monomotor em Tumiritinga Morreram na queda o prefeito do município de Central de Minas, Genil Mata da Cruz, de 39 anos, (PP), e um funcionário dele, Douglas Rafael da Silva, de 29. Depois do acidente, as 200 famílias deixaram a área nos dois dias seguintes. O advogado do prefeito, Siranildes Eleotério Gomes, havia afirmado após a morte de Cruz que esperava que a polícia apurasse se a aeronave havia sido “abatida de forma criminosa” pelo grupo, que é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo ele, Genil da Cruz estava sobrevoando o local para fazer fotos do terreno e anexar ao processo judicial que movia contra o grupo. A fazenda pertencia ao prefeito, conforme o advogado, e havia sido comprada há dois anos da empresa Fibria Celulose. As investigações ainda não foram concluídas, mas a equipe do Seripa do Rio, que esteve no local para averiguar o acidente, comunicou ao órgão superior, o Cenipa (Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que a queda da aeronave não fora provocada e que não há marcas de tiros nos destroços do monomotor. Os laudos não têm prazo para serem divulgados. Já os sem-terra, em nota divulgada pelo MST no dia seguinte ao acidente, dizem que o monomotor do prefeito e uma outra aeronave “estavam dando rasantes” sobre o acampamento, jogando sacos plásticos carregados de combustível sobre as barracas onde as famílias estão acampadas há cerca de dez dias. A ação durou cerca de uma hora, quando um dos aviões onde estava o prefeito perdeu o controle e caiu. A outra aeronave teria deixado o local em seguida. Os sem-terra dizem ainda que, na última sexta (10), o local foi invadido por homens que usaram fogos de artifício contra o grupo. Segundo Enio Bohnenberger, coordenador estadual do MST, os sem-terra deslocaram-se para outros acampamentos da região. A invasão começou no dia 5, com 300 famílias, mas desde então, segundo ele, “começaram os ataques e ameaças” diz o MST, partiram de representantes do dono da propriedade. Bohnenberger diz que o prefeito não tinha a documentação das terras porque ela ainda não havia sido quitada integralmente. Segundo o advogado da vítima, já havia sido protocolado um pedido de reintegração de posse na Vara de Conflitos Agrários de Minas Gerais. O acidente também está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que realizou perícia no local e deve divulgar seu laudo nesta semana.

O CAOS IDEOLÓGICO

JOSÉ LUÍS FIORI

Por José Luís Fiori | Imagem: Jasminka Banusik, Peixes

FIORI – O CAOS IDEOLÓGICO

 POR 

JOSÉ LUÍS FIORI

– ON 18/06/2015CATEGORIAS: BRASILDESTAQUESPOLÍTICAS

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Parece necessário reconhecer que a origem da grande confusão ideológica do país, neste momento, são as próprias forças progressistas e o governo 

 

“O PSDB não tem um projeto de país”
Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB (FSP, 27/05/2015)

O governo está sem rumo e está levando o PT junto”
Senador Paulo Paim (PT-RS) (Brasil 247, 27/05/2015)

Em meio à crise política e à retração econômica brasileira, o jantar do dia 12 de maio, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no Waldorf Astoria de Nova York, reunindo banqueiros, empresários e políticos da alta cúpula do PSDB, em torno da pessoa dos ex-presidentes Bill Clinton e Fernando H. Cardoso, foi um clarão no meio da confusão ideológica dominante. Em termos estritamente antropológicos, representou uma espécie de pajelança tribal de reafirmação de velhas convicções e alianças que estiveram na origem do próprio partido socialdemocrata brasileiro. Mas do ponto de vista mais amplo, pode se transformar numa baliza de referência para a clarificação e remontagem do mapa político brasileiro.

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Afinal, este grupo liderado pelo ex-presidente FHC, foi o único que esteve presente e ocupou um lugar de destaque nas reuniões formais e informais que cercaram a posse de Bill Clinton, em 1993, em Washington. Naquele momento foi sacramentada a aliança do PSDB com a facção democrata e o governo liderada pela família Clinton. Uma aliança que se manteve durante os dois mandatos de Clinton e FHC, assegurando o apoio do Brasil à criação da ALCA e garantindo a ajuda financeira americana que salvou o governo FHC da falência. Estes dois grupos estiveram juntos na formulação e sustentação das reformas e politicas do Consenso de Washington e voltaram a estar juntos nas reuniões da “Terceira Via”, criada por Tony Blair e Bill Clinton, em 2008, reencontrando-se agora de novo, na véspera da candidatura presidencial de Hillary Clinton.

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Durante todo este tempo, os socialdemocratas brasileiros mantiveram sua defesa incondicional do alinhamento estratégico do Brasil, ao lado dos EUA, dentro e fora da América Latina; sua opção irrestrita pelo livre-comércio e pela abertura dos mercados locais; pela redução do papel do Estado na economia; pela defesa da centralidade do capital privado no comando do desenvolvimento brasileiro; e finalmente pela aplicação e irrestrita das politicas econômicas ortodoxas. Estas posições orientaram a politica interna e a estratégia internacional dos dois governos do PSDB, na década de 90, e seguem orientando a posição atual do PSDB, favorável à reabertura de negociações para criação da ALCA; à mudança do regime de exploração do “pré-sal”; ao fim da exigência de conteúdo nacional nos mercados de serviços e insumos básicos da Petrobras e das grandes construtoras brasileiras.

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Isto pode não ser “um projeto de país”, mas com certeza é um programa de governo rigorosamente liberal, que só coincide de forma circunstancial e oportunista com as teses neoconservadoras defendidas hoje no Brasil por movimentos religiosos de forte conteúdo fundamentalista. A novidade destes movimentos no cenário politico brasileiro atual surpreende o observador, mas suas teses sobre família, sexo, religião etc não são originais e sua liderança carece da capacidade de formular e propor um projeto hegemônico para a sociedade brasileira. O mesmo pode ser dito com relação ao poder real das recentes mobilizações de rua e de redes sociais, que fazem muito barulho mas também não conseguem dar uma formulação intelectual e ideológica consistente às suas próprias iras e reivindicações.

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Deste ponto de vista, parece necessário reconhecer que a origem da grande confusão ideológica do país, neste momento, são as próprias forças progressistas e o governo que acabou de ser eleito por uma coalizão de centro-esquerda. Não é fácil identificar o denominador comum que une todas estas forças, mas não há dúvida que seu projeto econômico aponta muito mais para o ideal de um “capitalismo organizado” sob liderança estatal, do que para o modelo anglo-saxônico do “capitalismo desregulado”; para uma política agressiva de redistribuição de renda e prestação gratuita de serviços universais, do que para uma política social de tipo seletiva e assistencialista; e finalmente, para uma estratégia internacional de liderança ativa dentro de América Latina, e de uma aliança multipolar com as potências emergentes sem descartar as velhas potencias do sistema, muito mais do que para um alinhamento focado em algum país ou bloco ideológico de países.

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Se assim é, como explicar à opinião publica mais ou menos ilustrada, que um governo progressista deste tipo coloque no comando de sua política econômica um tecnocrata que não tem apenas convicções e competências ortodoxas, mas que seja também um ideólogo neoliberal que defende abertamente em todos os foros, uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo para o país absolutamente idêntica a que é defendida pelo grupo que participou do jantar no Waldorf Astoria, no dia 12 de maio? E como entender um ministro de Energia, que defende em reuniões internacionais, o fim da política de “conteúdo local” e do “regime de partilha”, do pré-sal, duas políticas que são uma marca dos últimos 13 anos de governo, e uma diferença fundamental com a posição defendida pelos mesmos comensais de Nova York?

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Por fim, para levar a confusão até o limite do caos, como explicar que o ministro de Assuntos Estratégicos deste mesmo governo, proponha abertamente, pela imprensa, como se fosse apenas um acadêmico de férias, que se faça uma revisão completa da política externa brasileira da última década, com a suspensão do Mercosul que foi criado e é liderado pelo Brasil, e com a mudança do foco e das prioridades estratégicas do país, que deveria agora alinhar-se com os EUA para enfrentar a ameaça da “ascensão econômica e militar chinesa”?

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Tudo isto dito de forma absolutamente tranquila, exatamente uma semana antes da visita oficial do primeiro-ministro chinês ao Brasil, que já havia sido anunciada junto com um pacote de projetos e de recursos para levar a frente uma estratégia de longo prazo que passa – entre outras coisas – pela construção de uma ferrovia transoceânica capaz de dar ao Brasil, finalmente, um acesso direto ao Pacifico, com repercussões óbvias no campo da geopolítica e geoeconomia continental. Além disto, este “grande estratego” do governo fez sua proposta um mês antes da reunião do BRICS, na Rússia, em que será criado o banco de investimento conjunto do grupo, sob a óbvia liderança econômica da China. Uma trapalhada pior do que esta, só se fosse proposta também a internacionalização da Amazônia.

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Talvez por isto tantos humanistas sonhem hoje com o aparecimento de uma nova utopia de longo prazo, como as que moveram os revolucionários e os grandes reformadores dos séculos XIX e XX. Mas o mais provável é que estas utopias não voltem mais, e que o futuro tenha que ser construído a partir do que está aí, a partir da sociedade e das ideias que existem, com imaginação, criatividade, a uma imensa paixão pelo futuro do país.

 

 

DISCURSO NA ÍNTEGRA DO PAPA FRANCISCO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS

O Papa no refeitório dos funcionários do Vaticano

O Papa no refeitório dos funcionários do Vaticano

Discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares

Vatican News

 

No final da tarde de 09/07/2015 o Papa Francisco concluiu o II Encontro dos Movimento Populares. Eis a íntegra do discurso preparado pelo Pontífice:

Boa tarde a todos!

Há alguns meses, reunimo-nos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, trouxe-vos no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-vos de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. Obrigado Senhor Presidente Evo Morales, por sustentar tão decididamente este Encontro.

Então, em Roma, senti algo muito belo: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também, pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz» presidido pelo Cardeal Turkson, que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos movimentos populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vós, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada diocese, em cada comissão «Justiça e Paz», uma colaboração real, permanente e comprometida com os movimentos populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro.

Deus permitiu que nos voltássemos a ver hoje. A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: terra, teto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.

1. Comecemos por reconhecer que precisamos duma mudança. Quero esclarecer, para que não haja mal-entendidos, que falo dos problemas comuns de todos os latino-americanos e, em geral, de toda a humanidade. Problemas, que têm uma matriz global e que atualmente nenhum Estado pode resolver por si mesmo. Feito este esclarecimento, proponho que nos coloquemos estas perguntas:

- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?

- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?

Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.

Nas vossas cartas e nos nossos encontros, relataram-me as múltiplas exclusões e injustiças que sofrem em cada atividade laboral, em cada bairro, em cada território. São tantas e tão variadas como muitas e diferentes são as formas próprias de as enfrentar. Mas há um elo invisível que une cada uma destas exclusões: conseguimos nós reconhecê-lo? É que não se trata de questões isoladas. Pergunto-me se somos capazes de reconhecer que estas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global. Reconhecemos nós que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?

Se é assim – insisto – digamo-lo sem medo: Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco.

Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.

Hoje quero refletir convosco sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança – poderíamos dizer – redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscais uma mudança e não apenas vós: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.

O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece exaurir-se; já não nos contentamos com lutar entre nós, mas chegamos até a assanhar-nos contra a nossa casa. Hoje, a comunidade científica aceita aquilo que os pobres já há muito denunciam: estão a produzir-se danos talvez irreversíveis no ecossistema. Está-se a castigar a terra, os povos e as pessoas de forma quase selvagem. E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava «o esterco do diabo»: reina a ambição desenfreada de dinheiro. O serviço ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.

Não quero alongar-me na descrição dos efeitos malignos desta ditadura subtil: vós conhecei-los! Mas também não basta assinalar as causas estruturais do drama social e ambiental contemporâneo. Sofremos de um certo excesso de diagnóstico, que às vezes nos leva a um pessimismo charlatão ou a rejubilar com o negativo. Ao ver a crónica negra de cada dia, pensamos que não haja nada que se possa fazer para além de cuidar de nós mesmos e do pequeno círculo da família e dos amigos.

Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 T” (trabalho, teto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!

2. Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem».

Vós, a partir dos movimentos populares, assumis as tarefas comuns motivados pelo amor fraterno, que se rebela contra a injustiça social. Quando olhamos o rosto dos que sofrem, o rosto do camponês ameaçado, do trabalhador excluído, do indígena oprimido, da família sem teto, do imigrante perseguido, do jovem desempregado, da criança explorada, da mãe que perdeu o seu filho num tiroteio porque o bairro foi tomado pelo narcotráfico, do pai que perdeu a sua filha porque foi sujeita à escravidão; quando recordamos estes «rostos e nomes» estremecem-nos as entranhas diante de tanto sofrimento e comovemo-nos…. Porque «vimos e ouvimos», não a fria estatística, mas as feridas da humanidade dolorida, as nossas feridas, a nossa carne. Isto é muito diferente da teorização abstrata ou da indignação elegante. Isto comove-nos, move-nos e procuramos o outro para nos movermos juntos. Esta emoção feita ação comunitária é incompreensível apenas com a razão: tem um plus de sentido que só os povos entendem e que confere a sua mística particular aos verdadeiros movimentos populares.

Vós viveis, cada dia, imersos na crueza da tormenta humana. Falastes-me das vossas causas, partilhastes comigo as vossas lutas. E agradeço-vos. Queridos irmãos, muitas vezes trabalhais no insignificante, no que aparece ao vosso alcance, na realidade injusta que vos foi imposta e a que não vos resignais opondo uma resistência ativa ao sistema idólatra que exclui, degrada e mata. Vi-vos trabalhar incansavelmente pela terra e a agricultura camponesa, pelos vossos territórios e comunidades, pela dignificação da economia popular, pela integração urbana das vossas favelas e agrupamentos, pela autoconstrução de moradias e o desenvolvimento das infraestruturas do bairro e em muitas atividades comunitárias que tendem à reafirmação de algo tão elementar e inegavelmente necessário como o direito aos “3 T”: terra, teto e trabalho.

Este apego ao bairro, à terra, ao território, à profissão, à corporação, este reconhecer-se no rosto do outro, esta proximidade no dia-a-dia, com as suas misérias e os seus heroísmos quotidianos, é o que permite realizar o mandamento do amor, não a partir de ideias ou conceitos, mas a partir do genuíno encontro entre pessoas, porque não se amam os conceitos nem as ideias; amam-se as pessoas. A entrega, a verdadeira entrega nasce do amor pelos homens e mulheres, crianças e idosos, vilarejos e comunidades… Rostos e nomes que enchem o coração. A partir destas sementes de esperança semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, destes rebentos de ternura que lutam por subsistir na escuridão da exclusão, crescerão grandes árvores, surgirão bosques densos de esperança para oxigenar este mundo.

Vejo, com alegria, que trabalhais no que aparece ao vosso alcance, cuidando dos rebentos; mas, ao mesmo tempo, com uma perspectiva mais ampla, protegendo o arvoredo. Trabalhais numa perspectiva que não só aborda a realidade setorial que cada um de vós representa e na qual felizmente está enraizada, mas procurais também resolver, na sua raiz, os problemas gerais de pobreza, desigualdade e exclusão.

Felicito-vos por isso. É imprescindível que, a par da reivindicação dos seus legítimos direitos, os povos e as suas organizações sociais construam uma alternativa humana à globalização exclusiva. Vós sois semeadores de mudança. Que Deus vos dê coragem, alegria, perseverança e paixão para continuar a semear. Podeis ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos ver os frutos. Peço aos dirigentes: sede criativos e nunca percais o apego às coisas próximas, porque o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adoptar posições ideológicas, mas se construirdes sobre bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência viva dos vossos irmãos, dos camponeses e indígenas, dos trabalhadores excluídos e famílias marginalizadas, de certeza não vos equivocareis.

A Igreja não pode nem deve ser alheia a este processo no anúncio do Evangelho. Muitos sacerdotes e agentes pastorais realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo os excluídos em todo o mundo, ao lado de cooperativas, dando impulso a empreendimentos, construindo casas, trabalhando abnegadamente nas áreas da saúde, desporto e educação. Estou convencido de que a cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os processos de mudança.

No coração, tenhamos sempre a Virgem Maria, uma jovem humilde duma pequena aldeia perdida na periferia dum grande império, uma mãe sem teto que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Maria é sinal de esperança para os povos que sofrem dores de parto até que brote a justiça. Rezo à Virgem do Carmo, padroeira da Bolívia, para fazer com que este nosso Encontro seja fermento de mudança.

3. Por último, gostaria que refletíssemos, juntos, sobre algumas tarefas importantes neste momento histórico, pois queremos uma mudança positiva em benefício de todos os nossos irmãos e irmãs. Disto estamos certos! Queremos uma mudança que se enriqueça com o trabalho conjunto de governos, movimentos populares e outras forças sociais. Sabemos isto também! Mas não é tão fácil definir o conteúdo da mudança, ou seja, o programa social que reflita este projeto de fraternidade e justiça que esperamos. Neste sentido, não esperem uma receita deste Papa. Nem o Papa nem a Igreja têm o monopólio da interpretação da realidade social e da proposta de soluções para os problemas contemporâneos. Atrever-me-ia a dizer que não existe uma receita. A história é construída pelas gerações que se vão sucedendo no horizonte de povos que avançam individuando o próprio caminho e respeitando os valores que Deus colocou no coração.

Gostaria, no entanto, de vos propor três grandes tarefas que requerem a decisiva contribuição do conjunto dos movimentos populares:

3.1 A primeira tarefa é pôr a economia ao serviço dos povos.

Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra.

A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos. A sua finalidade não é unicamente garantir o alimento ou um «decoroso sustento». Não é sequer, embora fosse já um grande passo, garantir o acesso aos “3 T” pelos quais combateis. Uma economia verdadeiramente comunitária – poder-se-ia dizer, uma economia de inspiração cristã – deve garantir aos povos dignidade, «prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos». Isto envolve os “3 T” mas também acesso à educação, à saúde, à inovação, às manifestações artísticas e culturais, à comunicação, ao desporto e à recreação. Uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar duma infância sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante os anos de atividade e ter acesso a uma digna aposentação na velhice. É uma economia onde o ser humano, em harmonia com a natureza, estrutura todo o sistema de produção e distribuição de tal modo que as capacidades e necessidades de cada um encontrem um apoio adequado no ser social. Vós – e outros povos também – resumis este anseio duma maneira simples e bela: «viver bem».

Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la. Os recursos disponíveis no mundo, fruto do trabalho intergeneracional dos povos e dos dons da criação, são mais que suficientes para o desenvolvimento integral de «todos os homens e do homem todo». Mas o problema é outro. Existe um sistema com outros objetivos. Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra na ara da «produtividade», continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos económicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projeto de Jesus.

A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afeta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo. Não basta deixar cair algumas gotas, quando os pobres agitam este copo que, por si só, nunca derrama. Os planos de assistência que acodem a certas emergências deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Nunca poderão substituir a verdadeira inclusão: a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário.

Neste caminho, os movimentos populares têm um papel essencial, não apenas exigindo e reclamando, mas fundamentalmente criando. Vós sois poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global.

Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adopta formas solidárias que a dignificam. Quão diferente é isto do facto de os descartados pelo mercado formal serem explorados como escravos!

Os governos que assumem como própria a tarefa de colocar a economia ao serviço das pessoas devem promover o fortalecimento, melhoria, coordenação e expansão destas formas de economia popular e produção comunitária. Isto implica melhorar os processos de trabalho, prover de adequadas infraestruturas e garantir plenos direitos aos trabalhadores deste sector alternativo. Quando Estado e organizações sociais assumem, juntos, a missão dos “3 T”, ativam-se os princípios de solidariedade e subsidiariedade que permitem construir o bem comum numa democracia plena e participativa.

3.2 A segunda tarefa é unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça.

Os povos do mundo querem ser artífices do seu próprio destino. Querem caminhar em paz para a justiça. Não querem tutelas nem interferências, onde o mais forte subordina o mais fraco. Querem que a sua cultura, o seu idioma, os seus processos sociais e tradições religiosas sejam respeitados. Nenhum poder efetivamente constituído tem direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e, quando o fazem, vemos novas formas de colonialismo que afetam seriamente as possibilidades de paz e justiça, porque «a paz funda-se não só no respeito pelos direitos do homem, mas também no respeito pelo direito dos povos, sobretudo o direito à independência».

Os povos da América Latina alcançaram, com um parto doloroso, a sua independência política e, desde então, viveram já quase dois séculos duma história dramática e cheia de contradições procurando conquistar uma independência plena.

Nos últimos anos, depois de tantos mal-entendidos, muitos países latino-americanos viram crescer a fraternidade entre os seus povos. Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a «Pátria Grande». Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça.

Apesar destes avanços, ainda subsistem fatores que atentam contra este desenvolvimento humano equitativo e coarctam a soberania dos países da «Pátria Grande» e doutras latitudes do Planeta. O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anónimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que «as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações». Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma ação internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.

Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adopta o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante».

Temos de reconhecer que nenhum dos graves problemas da humanidade pode ser resolvido sem a interação dos Estados e dos povos a nível internacional. Qualquer ato de envergadura realizado numa parte do Planeta repercute-se no todo em termos económicos, ecológicos, sociais e culturais. Até o crime e a violência se globalizaram. Por isso, nenhum governo pode atuar à margem duma responsabilidade comum. Se queremos realmente uma mudança positiva, temos de assumir humildemente a nossa interdependência. Mas interação não é sinónimo de imposição, não é subordinação de uns em função dos interesses dos outros. O colonialismo, novo e velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos… precisamente porque, ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. Isto é desigualdade, e a desigualdade gera violência que nenhum recurso policial, militar ou dos serviços secretos será capaz de deter.

Digamos NÃO às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz.

Aqui quero deter-me num tema importante. É que alguém poderá, com direito, dizer: «Quando o Papa fala de colonialismo, esquece-se de certas ações da Igreja». Com pesar, vo-lo digo: Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus. Reconheceram-no os meus antecessores, afirmou-o o CELAM e quero reafirmá-lo eu também. Como São João Paulo II, peço que a Igreja «se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos». E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi São João Paulo II: Peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América.

Peço-vos também a todos, crentes e não crentes, que se recordem de tantos bispos, sacerdotes e leigos que pregaram e pregam a boa nova de Jesus com coragem e mansidão, respeito e em paz; que, na sua passagem por esta vida, deixaram impressionantes obras de promoção humana e de amor, pondo-se muitas vezes ao lado dos povos indígenas ou acompanhando os próprios movimentos populares mesmo até ao martírio. A Igreja, os seus filhos e filhas, fazem parte da identidade dos povos na América Latina. Identidade que alguns poderes, tanto aqui como noutros países, se empenham por apagar, talvez porque a nossa fé é revolucionária, porque a nossa fé desafia a tirania do ídolo dinheiro. Hoje vemos, com horror, como no Médio Oriente e noutros lugares do mundo se persegue, tortura, assassina a muitos irmãos nossos pela sua fé em Jesus. Isto também devemos denunciá-lo: dentro desta terceira guerra mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em curso que deve cessar.

Aos irmãos e irmãs do movimento indígena latino-americano, deixem-me expressar a minha mais profunda estima e felicitá-los por procurarem a conjugação dos seus povos e culturas segundo uma forma de convivência, a que eu chamo poliédrica, onde as partes conservam a sua identidade construindo, juntas, uma pluralidade que não atenta contra a unidade, mas fortalece-a. A sua procura desta interculturalidade que conjuga a reafirmação dos direitos dos povos nativos com o respeito à integridade territorial dos Estados enriquece-nos e fortalece-nos a todos.

3.3 A terceira tarefa, e talvez a mais importante que devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra.

A casa comum de todos nós está a ser saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos, com crescente decepção, sucederem-se uma após outra cimeiras internacionais sem qualquer resultado importante. Existe um claro, definitivo e inadiável imperativo ético de atuar que não está a ser cumprido. Não se pode permitir que certos interesses – que são globais, mas não universais – se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais, e continuem a destruir a criação. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir – pacífica, mas tenazmente – a adopção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendais a Mãe Terra. Sobre este assunto, expressei-me devidamente na carta encíclica Laudato si’.

4. Para concluir, quero dizer-lhes novamente: O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra. Rezo por vós, rezo convosco e quero pedir a nosso Pai Deus que vos acompanhe e abençoe, que vos cumule do seu amor e defenda no caminho concedendo-vos, em abundância, aquela força que nos mantém de pé: esta força é a esperança, a esperança que não decepciona. Obrigado! E peço-vos, por favor, que rezeis por mim.

 

TEMPO DAS TENTAÇÕES: o Evangelho de Lucas no espírito de Arturo Paoli

A Tentação

A Tentação de Jesus pelo Demônio no deserto

Do tempo das tentações

Jesus, repleto do Espírito Santo, voltou do Jordão e estava no deserto, conduzido pelo Espírito, durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo.
Não comeu nada durante aqueles dias e, decorrido esse tempo, sentiu fome. Ora, o diabo lhe disse: “Se tu és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se transforme em pão”. Jesus lhe respondeu: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem”.
O diabo o conduziu mais alto, mostrou-lhe, num instante todos os reinos da terra, e lhe disse: “Eu darei todo esse poder com a glória desses reinos, porque é a mim que ele foi entregue e eu o dou a quem eu quiser. Tu, portanto, se me adorares, tudo isso será teu”. Jesus lhe respondeu: “Está escrito: Adorarás ao Senhor, teu Deus, e a ele só prestarás culto”.
O diabo o conduziu a Jerusalém; levou-o para a cumeeira do Templo e lhe disse: “Se é o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo; pois está escrito:”Ele dará a teu respeito ordem a seus anjos de te guardarem”, e ainda: “eles te carregarão nas mãos, para que não contundas o pé em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “ Está escrito: Não porás a prova o senhor, teu Deus”.
Tendo então esgotado toda tentação possível, o diabo afastou dele até o tempo estabelecido. (Lc,1-13).

 

*       *      *

Comentário. O texto de Lucas é um texto clássico das tentações a que Jesus fora submetido. O demônio ocupa o centro das ações. A luta se dá entre o demônio e Jesus. “As tentações” intentam três dimensões axiais da vida humana, o ser na perspectiva do TER (fome de Pão), necessidades físicas e materiais; o ser na perspectiva do VALER (cuidado dos anjos); o ser na perspectiva do PODER (domínio e glória sobre os Reinos da Terra) (Arturo Paoli: A Raiz do Homem). As três dimensões voltam-se à centralidade do Eu. Media o debate, textos das Escrituras. Vencido, Satanás afasta-se até o tempo estabelecido (?). O Diabo – metáfora da maldade – ‘toma lugar’ dos verdadeiros sujeitos desta cena, subsumidos: escribas e fariseus. Por isso, o debate se atém a textos bíblicos denunciando o protagonismo deles. O problema da Missão de Jesus é também típico dos interesses deles. A cena que aparece num tempo isolado, no começo da vida pública de Jesus, é paradigmática: posto que as tentações à Missão de Jesus, pelos escribas e fariseus, foram recorrentes. Importa compreender que do verdadeiro diabo “em pessoa” encobre a maldade dos verdadeiros ‘demônios’: os dominadores, os exploradores que estão presentes na história de barbárie. 

Luiz Augusto Passos

O capitalismo é uma ‘ditadura sutil’ Papa Francisco na Bolívia

O Papa em Santa Cruz de La Sierra Bolívia

O Papa em Santa Cruz de La Sierra Bolívia

 

 De maneira muito impressionante o Papa Francisco tornou-se uma voz revolucionário em seu sentido etimológico de retomar o pensamento da Doutrina Social da Igreja, mas sem que o aspecto doutrinário se torne a referência, mas tomando a vida dos povos sofrentes, onde quer que se encontrem, para denunciar de maneira forte a violência do capitalismo, da usura, da violência sobretudo sobre os mais pobres, que carregam o peso das desgraças deste mesmo
sistema que “não serve mais para ninguém”, diz o Papa. Mesmo os ricos que colocaram sua esperança de enconrar no dinheiro, propriedades e bens sabem de que isso não os conduz à felicidade. E, apela para continuar a luta pelas mudanças globais, pressionar os governos e os estados. E, de maneira particular, GLOBALIZAR A ESPERANÇA. Tema recorrente de Francisco, que sempre põe como bandeira a alegria e a ternura sobretudo com a Terra. Afirma: “atrás de tanta dor, tanta morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava de ‘o esterco do Diabo’ [dinheiro]“. Segundo ele, o capitalismo é uma “ditadura sutil”. [...]   ”a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”. Para ele, trata-se de “colonialismo ideológico”.

Luiz Augusto Passos
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O CAPITALISMO É UMA DITADURA SUTIL [...] 

UOL - FABIANO MAISONNAVE

Leia na íntegra abaixo

ENVIADO ESPECIAL A SANTA CRUZ DE LA SIERRA (BOLÍVIA)

No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (9) uma “mudança de estruturas” mundial, chamou o capitalismo de “ditadura sutil” e exortou os movimentos sociais a realizar “três grandes tarefas” na economia, na união entre os povos e na preservação do ambiente.

“Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?”, perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).

“Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco”, completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).

Para o papa, a “globalização da esperança” nasce e cresce entre os pobres, mas até a elite econômica quer mudanças: “Dentro dessa minoria cada vez menor que acredita que se beneficia com este sistema reinam a insatisfação e especialmente a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza.”

Em outra dura crítica ao capitalismo, Francisco afirmou que, “atrás de tanta dor, tanta morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava de ‘o esterco do Diabo’ [dinheiro]“. Segundo ele, o capitalismo é uma “ditadura sutil”.

O líder católico atacou também “a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”. Para ele, trata-se de “colonialismo ideológico”.

Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizar as mudanças: “Eu me atrevo a dizer-lhes que o futuro da humanidade está, em grande
medida, em suas mãos”, afirmou. “Vocês são os semeadores das mudanças.”

Em seguida, o pontífice propôs a realização de três tarefas aos movimentos sociais. A primeira é a “colocar a economia a serviço dos povos”: A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas “a administração correta da casa comum”. O objetivo, diz, é assegurar os “três Ts: trabalho, teto e terra”.

“A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a tarefa é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence.”

A segunda tarefa, segundo o pontífice, é “unir nossos povos no caminho da paz e da justiça”. Ele defendeu o conceito de “pátria grande”, usado por movimentos de esquerda para pregar a união latino-americana.

Francisco afirmou que problemas como a violência não podem ser resolvidos sem cooperação entre os países e atacou o “novo colonialismo”: “Interação não é sinônimo de imposição”, afirmou. “Colocar a periferia em função do centro lhe nega o direito a um desenvolvimento integral. Isso é iniquidade, e a iniquidade gera tal violência que não haverá recursos policiais, militares ou de inteligência capazes de deter.”

Por último, o líder católico pediu a preservação da “Mãe Terra”, tema de sua encíclica mais recente: “Não se pode permitir que certos interesses –que são globais, mas não universais– se imponham, submetam os Estados e organismos internacionais e continuem destruindo a criação”.

’3ª GUERRA EM PARCELAS

O papa também condenou o assassinato de católicos pelo grupo terrorista Estado Islâmico e disse que o mundo vive “uma Terceira Guerra Mundial em parcelas”.

“Isto também deve ser denunciado: dentro desta Terceira Guerra Mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em marcha, e ele deve cessar”, declarou o pontífice.

Visitando um país de maioria indígena, Francisco pediu desculpas pelo atuação da Igreja Católica durante a colonização –momento do discurso em que ele foi mais aplaudido pelos fiéis.

“Digo-lhes com pesar: foram cometidos muitos e graves pecados contra os povos originários da América em nome de Deus”, disse. “E quero dizer-lhes, quero ser muito claro, como foi são João Paulo 2°: peço humildemente perdão, não apenas pelas ofensas da própria igreja como pelo crimes contra os povos originários durante a chamada conquista da América.”

Ao final do discurso, disse: “Digamos juntos de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem velhice digna. Sigam a sua luta e, por favor, cuidem muito da Mãe Terra.” 

POR UM ESTADO PÚBLICO, SEM FINANCIAMENTOS PRIVADOS

EMPREITEIAS E DEPUTADOS

EMPREITEIAS E DEPUTADOS

DIA 8 DE AGOSTO NA SEDE DA CUT-MT

Encontro Estadual

Popular pela Constituinte

Preparação do Encontro Nacional Popular pela Constituinte

 

É urgente fazer a luta para mudar nosso sistema politico, precisamos acabar com mecanismos que levam a corrupção e que mantém representantes do poder econômico e não do povo na politica. Hoje eleição é dinheiro, e da onde vem tanto dinheiro para serem gastos nas campanhas? Nós sabemos que esse dinheiro vem das empresas de todos os ramos, empreiteiras, bancos, indústrias e comercio. Será que quem recebeu milhões de bancos e empreiteiras vai representar o povo?

Na verdade a politica no Brasil é um negocio onde empresas investem e ganham muito dinheiro com a corrupção ou com a aprovação de leis só beneficiam o poder econômico.

A mudança desse sistema não será feito nas regras atuais e nem pela maioria dos atuais deputados federais que foram bancados pelos corruptores como as empreiteiras, por isso propomos uma Constituinte Popular chamada por Plebiscito Oficial. No entanto esta sendo votado uma contra reforma politica no congresso, querem aprovar a PEC DA CORUPÇÃO, que vai permitir permanentemente o financiamento empresarial de campanha.

 

COMBATER A CORRUPÇÃO ONDE ELA NASCE

Estamos na luta imediata pelo FIM do Financiamento Empresarial de Campanha. Sabemos que empresas financiam os partidos e candidatos e em troca disso ganham contratos ou são aprovadas leis que beneficiam quem bancou a campanha. Esse mecanismo faz proliferar casos de corrupção nos poderes legislativos e executivos.

Para construir a luta uma verdadeira reforma politica é preciso uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Politico. Para isso vamos organizar encontros pela Constituinte em todo o Brasil e na semana da pátria fazer o Encontro Nacional Popular por uma Constituinte. Faça parte dessa luta! Participe da Mobilização para Encontro Estadual e Popular pela Constituinte em Mato Grosso no dia 8 de agosto.

 

Contato Brasil:

facebook.com/plebiscitoconstituinte     Site: plebiscitoconstituinte.org.br

Contato Mato Grosso:

facebook.com/plebiscitoconstituintemt        E-mail: plebiscitoconstituinte@gmail.com