GRUPO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO & MERLEAU-PONTY (GEMPO)

Portal do GPMSE/GEMPO: Estudos Educação e Merleau-Ponty

AUMENTO DA VIOLÊNCIA DOS FAZENDEIROS CONTRA INDÍGENAS

Data: 03/02/2016 18:01

 

Assunto: Tensão devido ao aumento da violência contra os Kaiowa e Guarani em MS

 

Car@s,

 

Grande parte de vocês devem estar acompanhando mais uma vez uma sucessão de ataques violentos dos ruralistas aos acampamentos de retomada dos Kaiowa e dos Guarani no Mato Grosso do Sul. Desde o início do ano tem crescido a ofensiva aos acampamentos localizados na região de Caarapó, Juti e Amambai, que vão desde a emissão de inseticida aplicados nas monoculturas de soja e cana contra as famílias de Te´’ýijusu em Caarapó, chegando até os ataques à tiros e queima dos barracos de lona em Kurusu Ambá, Amambai, onde as famílias aguardam pela demarcação.

 

Escreve este e-mail e peço ampla circulação devido o aumento da tensão provocada pela ação dos ruralistas em destruir os vestígios do último ataque no dia 31/01 quando incendiaram os barracos, destruíram os pequenos roçados e utensílios domésticos. Ontem 02/02 o servidores da Coordenação Regional da FUNAI em Ponta Porã e Coordenação Técnica Local de Amambaí estiveram lá e viram os ruralistas utilizarem máquinas agrícolas para revirar o solo, no intuito de atrapalhar algum possível trabalho de investigação pericial. Os servidores estivem sem escolta policial, mesmo tendo requisitado, visto que os ruralistas estavam armados, assim como seus “seguranças”. A avaliação é que os ruralistas estão criando meios de expulsar os índios do interior da fazenda Barra Bonita e deixá-los expostos as margens da estrada fronteiriça. Hoje, 03/02, os relatos dos servidores da FUNAI dão conta a ação de queima e destruição dos vestígios foi feita na frente deles e contando ao impunidade visto que até pela manhã de hoje não tinha chegado ainda nenhuma força de segurança pública.

 

Em conversa com as lideranças do Aty Guasu da região de Dourados, Juti e Amambai o temor deles é que durante o período do carnaval, no feriado, os ataques se intensifiquem, visto que grandes partes das pessoas que atuam nos serviços de justiça e segurança pública não estão em plantão, ocorra ação violentas como visto em outras situações. Conversando com uma liderança da retomada de Lechucha, município de Juti, ela relatou que o arrendatário da fazendo procurou seu irmão para comunicar que ele estaria retirando os funcionários da fazenda porque os proprietários da região estiveram reunidos e planejando ação de intimidação contra as famílias, como uma retaliação à extinção da CPI do CIMI. Ao entrar em contato com outra liderança de Kurusu Amba, Le disse que havia falado hoje com o delegado da PF de Ponta Porã que disse que iria enviar agentes para verificar. A liderança de Kurusu Amba disse que se ocorresse alguma morte iriam responsabilizar a PF. Falei com Dep. Pedro Kemp (PT-MS) que compunha a CPI CIMI, que disse ter comunicado pela manhã o delegado da PF e que a tarde se reuniria com os procuradores federais e com o Superintendente da PF-MS.

 

De modo geral este cenário já está sendo veiculado pelas assessorias de imprensa do CIMI e de outros meios de comunicação, mas o apelo das lideranças do Aty Guasu é para que façamos as noticias chegarem aos mais amplos parceiros visto que o temor de novos e mais intensos ataques é grande com a chegada de um feriado prolongado. Os indígenas pedem a presença da PF e da Força Nacional de Segurança porque não confiam na atuação das forças de segurança regionais. Deste modo, peço desculpas pelos erros gramaticais e ortográficos, mas circulem as notícias para que possamos pressionar o MJ a agir.

Diógenes E. Cariaga

Doutorando em Antropologia Social

 

NEPI/PPGAS/UFSC

Florianópolis

 

31/01/16 CELEBRAMOS 30 dias da PASSAGEM DE HILDA RAMALHO CUNHA

Bela Hilda Ramalho Cunha

Bela Hilda Ramalho Cunha

Hoje à noite, 31 de Janeiro de 2016, na Missa da Igreja do Rosário, em frente ao Morro da Luz, estaremos celebrando o trigésimo dia do falecimento da Mãe de Professora Tereza Ramalho Cunha, às dezenove horas.

CONVITE

Convidamos a comunidade acadêmica para a celebração da missa de mês em sufrágio da alma da Sra. Hilda Ramalho Cunha, mãe da professora Tereza Ramalho, do Departamento de Artes, IL, que será realizada na Igreja de N. Sra do Rosário e de São Benedito, em frente ao Morro da Luz, domingo, dia 31 de janeiro de 2016, às dezenove horas.

Durante o ato religioso haverá de cantos eruditas sacros, em homenagem a “Bela Hilda” e aos Santos desta Igreja que, além de importantes relíquias, guarda histórias de lutas e de movimentos sociais. A apresentação terá a participação de professores, músicos e técnicos, do PPGE/Movimentos Sociais/IE e do Departamento de Artes, IL, UFMT.

Valemo-nos da oportunidade para agradecer as manifestações fraternais de sentimento e carinho havidas em homenagem a “Bela Hilda” no mês de dezembro de 2015. Tendo noventa e cinco anos e cinco meses ao tempo de sua despedida, a carioca que morava em Cuiabá, Mato Grosso, gostava de conversar com as plantas, animais, amava a música, a arte e as celebrações alegres.

Agradecemos, especialmente, ao prof. Dr. Amílcar Pinto Martins, pelas palavras que, na travessia do grande oceano, nos trouxeram esperança e alento.

Tereza Ramalho e Amigos.

CARLOS ALBERTO REYES MALDONADO partiu ontem…

Carlos Alberto Reyes Maldonado

Considerações acerca da passagem do Professor Dr. Maldonado

                                                                       Luiz Augusto Passos

Entre infinitas realizações de um sonhador compulsivo e obsessivo, Maldonado deixa uma saudade enorme no coração da população mais oprimida. Ela era a destinatária dos seus sonhos de educador apaixonado, voltado ao ‘deslimite’ tal como o conceberia Manoel de Barros.

Onde quer que estivesse, fosse nos CAMPI da UPC, nos Círculos de Cultura, nas rodas do “loucos por educação”, entre os alunos e Educadores do Araguaia, entre indígenas que institucionalizam o seu Conselho Municipal de Educação Indígena, nos programas de TV TERMINAL e PIXÉ, no Centro de Direitos Humanos D. Máximo Biennés, nas bibliotecas SABER COM SABOR, as bandinhas livres  que tocavam nos espaços da praça, para a população dançar, nos Programas Educativos na Rua voltados à Paz junto a projetos da Unesco, na produção do Filme da história das coartisentes da UPC, na concepção de ter instrumentos legais com responsabilização formal do gestor que não dissesse quem são, onde moram, endereço, nome, idade, das pessoas adultas analfabeta,  no projeto das cidades educadoras, o projeto de intercambio entre alunos das escolas urbanas com alunos das aldeias.

Eu sempre o defini como um visionário. Só os profestas o foram, porque estavam com seu corpo, dentro do corpo dos outros sofridos, e sabiam de suas dores, e utopias. Uma pessoa humana tocada a coração: frágil. Quando Mario Sérgio Cortella anunciou a morte de Paulo Freire disse uma frase extraordinária: “Paulo Freire morreu da única coisa que o poderia ter matado: o coração.” Não é diferente de Maldonado. Maldonado seguiu o mesmo caminho, se irmanou na mesma morte.

Sua grandeza é imemorável. Só o tempo dirá. Estas pessoas são produndas demais para podermos compreender a reverberação de sua morte. Haverá um cisma entre o silenciamento indecente e proibitivo e o que virá.

Há uma semana recebi uma solicitação de mencionar um projeto concebido de forma inteira e articulada, no qual a metodologia científica e rigorosa, do ponto de vista epistêmico se somava aos interesses na emancipação. Era solicitação de uma universidade do Paraná. Lembrei-os da UPC, e há dois dias atrás havia escrito um capítulo juntamente com a professora Rosângela Carneiro Góes cujo capítulo chamava Manhas e artimanhas… Era uma das histórias da UPC. Encaminhei e recebi o entusiasmo desta pessoas pesquisadores e pesquisadoras desejando algum projeto considerado como consolidado, no quanto durou….

O conjunto de pessoas que estiveram com Maldonado, ao lado e no apoio, também foram imensas. A UPC foi expressiva em sua apresentação com os artisentes e coartisentes, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Moacir Gadotti escreveu sobre esta experiência, muito comentada pelo professor Boaventura de Souza Santos. Por óbvio, um programa deste cunho emancipatório e popular é temido, e não raro desarticulado, quando as formas de estado democrático entendem uma ‘democracia’ autoritária.

Maldonado teve a sapiência de colocar políticas públicas que foram depois aplicadas em outros lugares, e ainda se constitui em uma grande utopia fecunda. As utopias são efêmeras, mas pegajosas. E o que veio depois não conseguiu se livrar de dimensões que anunciam o direito, a justiça e a participação.

Figura apaixonante, com sua forma simples, o mesmo de sempre, onde estivesse, sem qualquer pretensão de ser melhor ou mais inteligente. Ainda assim, deve-se considerar como um “intelectual clássico”, enciclopédico e que mudou estrutural e politicamente a ação do ‘Estado’ enquanto nele esteve como gestor, no que tangia de mais crucial, o apoio à educação popular. Defendeu arduamente todo projeto  emancipatório, buscando sempre a justiça e as formas que estruturalmente pudessem revolucionar a ação das pessoas entre elas com todas as outras…   Devemos não apena o reconhecimento do feito, mas a coragem de empreender coisas realizadas, e radicalizar nos projetos educacionais criativos, sob hegemonia da população oprimida, que são, em último análise, para Paulo Freire e Para Maldonado, os protagonistas de sua própria educação. O céu ficará mais dinâmico com sua presença, e os arcanjos adorarão dançar o Siriri, ao redor do mochinho de Deus! 

Ao Maldonado nosso compromisso com seus sonhos que são os sonhos das maiorias! Que sempre foram os sonhos deles…

                                                                  Luiz Augusto Passos

 

30/01/2016 – 09:37

Morre Carlos Maldonado, idealizador da Unemat e ex-secretário de Educação de MT

Da Redação – Jardel P. Arruda e Ronaldo Pacheco

A esquerda, Carlos Alberto Maldonado

O professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) Carlos Alberto Reyes Maldonado, 54, morreu na manhã desta sábado (30), em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral em um hospital de Cuiabá. Ele foi um dos mais importantes militantes da educação de Mato Grosso na década de 1990 e 2000. Formado em Direito pela USP, Maldonado atuava há quase 30 anos na Unemat como professor de Ciências Sociais, junto ao curso de Direito no Campus de Cáceres. As últimas homenagens serão prestadas ainda neste sábado na Câmara Municipal de Cáceres (220 km a Oeste), município onde residia.

Leia mais:

Primeiro reitor eleito e um dos idealizadores da Unemat, criada a partir do Instituto de Ensino Superior de Cáceres, Maldonado foi secretário de educação de Cuiabá e do Estado, entre 1996 e 2004, nas gestões do também já falecido Dante de Oliveira e Roberto França, ambos então membros do PSBD.
Também foi um dos principais mentores da escola ciclada e era defensor da criação do Estado do Pantanal a partir das regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que compreendem as planícies pantaneiras. Para ele, uma unidade federativa sustentada pela União seria a única forma de preservar o ecossistema, que é único em nível mundial.

Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (1982), Maldonado construí boa parte de sua carreira como educador em Cáceres. O corpo deve ser transladado para o município fronteiriço ainda neste final de semana.
O Governo do Estado lamentou o falecimento e emitiu nota de pesar e destaca a importância de sua contribuição a educação em Mato Grosso. Confira a íntegra:
“O governador Pedro Taques lamenta profundamente a morte do ex-reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), professor Carlos Maldonado. Maldonado teve papel importante para o processo de fundação da Unemat e também deu a Mato Grosso sua contribuição como secretário de Estado de Educação e ao município de Cuiabá, onde também atuou como secretário Municipal de Educação.  O ex-reitor faleceu neste sábado (30.01), vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em Cuiabá. As últimas homenagens serão prestadas neste sábado na Câmara Municipal de Cáceres (220 km a Oeste), município onde residia”. 

A reitora da Unemat, professora Ana Di Renzo, decretou luto oficial por três dias e disse lamentar profundamente a perda. “A Unemat  chora a morte do seu idealizador, mas a lembrança de que acreditar na utopia é condição para a mudança acontecer ficará para sempre no coração daqueles que com ele aprenderam a compreender o mundo. Maldonado tem seu nome impresso profundamente na história da nossa universidade”, disse a reitora. O campus Jane Vanini, onde o professor atuava também decretou luto oficial por três dias.
Notícias | 06/07/2006

OUTRAS INFORMAÇÕES

Reconhecido por um conjunto de intelectuais de peso da academia internacional e do Brasil, no último encontro que presenciei entre o Reitor da Universidade de Siegen (Alemanha) , ele definia: ´”É um gênio, é um gênio…”

Universidade Popular Comunitária do Mato Grosso, é tema de trabalhos na Academia:

http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/118220/barros_ap_tcc_rcla.pdf?sequence=1A aluna do programa de pós-graduação em Educação do Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria de Fátima da Silva, fará a defesa pública da dissertação de mestrado, hoje (6), às 18 horas, no campus Herbert de Souza, da Universidade Popular Comunitária (UPC), no bairro Osmar Cabral, próximo à igreja católica. Orientada pelo professor doutor, Luiz Augusto Passos, a mestranda defenderá a dissertação ´´Universidade Popular Comunitária – da solidão à solidariedade. Tramas de educação e trabalho. Além do orientador, fazem parte da banca examinadora a professora doutora, Lia Tiriba, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e os professores doutores Darci Secchi e Nicanor Palhares Sá. Mais informações pelo telefone (65) 3615 8431.

Aluno do programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Antonio Marcos Passos realizada a defesa de sua dissertação intitulada: “Universidade Popular Comunitária: Um outra educação é possível”

GOES, Carneiro e Passos, Luiz Augusto. 

Professor Carlo Alberto Reyes Maldonado

“Possuia graduação em Direito pela Universidade de São Paulo (1982), ingressou em pós-graduações na USP e UFMT (mestrado) e na Universidade de Siegen – Alemanha (doutorado), sem entretanto concluir qualquer dos cursos. Atualmente é funcionário estatutário da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT. Tinha experiência na área de Educação, com ênfase em Políticas Públicas de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: politicas publicas da educação, gestão publica da educação, ensino superior, educação de adultos, inovações educacionais”.

Em 30 de Janeiro, deste ano, apontava no Diário de Cuiabá foi publicado sua entrevista:

ECA: UM RUMO SEM PORTO

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=12331

 

Visita de Deputado Deputado federal da Alemanha ao Fórum de Direitos Humanos e da Terra/ CPT

Visita Dr. Anton Hofreiter Deputado Federal da Alemanha e do Parlamento Europeu

Visita Dr. Anton Hofreiter Deputado Federal da Alemanha e do Parlamento Europeu

 

Visita do Dr. Anton Hofreiter Deputado federal da Alemanha ao fórum de direitos humanos e da Terra/ CPT

 

No dia 23/10 recebemos a visita do Dr. Anton Hofreiter Deputado federal da Alemanha. Ele é líder do partido “Aliança ’90/Os Verdes” terceiro maior partido da Alemanha. Ele também é do parlamento Europeu. Esteve no Centro Burnier liderando uma comitiva que veio a Mato Grosso para ouvir as denúncias em relação a conflitos no campo, ligados a terra e aos povos (indigenas, quilombolas, populações tradicionais). Além disto, queria saber sobre os agrotóxicos. Em Mato Grosso foi a Lucas do Rio Verde e Cuiabá. Em Cuiabá esteve no Centro Burnier, para falar com o Fórum de Direitos Humanos e da Terra e também a CPT. Teobaldo e eu (Inácio) fizemos uma apresentação do Relatório de Direitos Humanos e da Terra 2015. Uma apresentação dos dados sobre conflitos, mortes e ameaças no campo, mostramos a eles como a terra está concentrada em poucas possoas e em grandes propriedades e cada vez mais expulsando os povos e as populações de suas terras. Queriam saber o que o poder público está fazendo. Falamos sobre como funciona o judiciario, o executivo principalmente o desmando no local e o legislativo  e a ligação com o agronegócio que determina a politica no Estado. Mostramos com fotos e depoimentos e textos 3 casos concretos: Arauna/ Novo Mundo, Gama/ Nova Guarita e lotes 40 e 41 em Lucas. Ficaram muito impresionados que isto esteja acontecendo neste momento porque como estavam em Lucas antes falaram para eles que os conflitos existiam antes, a mais de 10 anos, mas agora não existe mais em Mato Grosso. Em Cuiabá também visitaram o NEASTE, núcleo de estudos da UFMT para falar sobre agrotóxicos. Além de Mato Grosso, antes estavam em Brasilia e ainda foram ao Rio de Janeiro.

 

Ficaram boas impressões sobre a nossa conversa, creio que uma missão desta pode repercutir na Europa. Pergunta se estaríamos dispostos a participar lá de seminários ou conferencias sobre esta temática, respondemos que estamos disposição, desde que com tempo e a logística para tal.

Também acompanharam jornalistas que também fizeram perguntas. No dia 24 o porta voz do deputado encaminhou o email abaixo.

Caro Inácio

Muito obrigado pela muito interessante apresentação ao Anton Hofreiter. Nós encontramos hoje jornalistas alemães no Rio. Eles estão muito interessados em sua apresentação. Posso repaçá-las?

Obrigado

Cordiais saudações

Andreas

Porta voz de Anton Hofreiter

Respondi que pode repassar e informei novamente o Link do relatório bem como telefone para mais informações.

2 das apresentações estão disponíveis em:

Gleba Gama Novo Guarita: https://www.youtube.com/watch?v=-ZrRN_Zje9s

E Arauna Novo Mundo

https://www.youtube.com/watch?v=M4uZrwy4Bj4

 

abraços

Inácio j. Werner

 

O único perigo é a FEBRE AMARELA

Fonte: O CAFEZINHO: Que tal 53 bilhões para infraestrutura?

Exclusivo! Brasil vai esnobar os US$ 53 bilhões de Pequim?
10 outubro 2015Carlos EduardoEconomia31 comentários
O Cafezinho apresenta, neste post, uma entrevista exclusiva com
Evandro Menezes de Carvalho (foto), professor na Universidade de
Finanças e Economia de Xangai.

Antes, porém, gostaria de tecer alguns comentários sobre o tema.

O primeiro-ministro chinês esteve recentemente no Brasil, anunciando a
disponibilização de US$ 53 bilhões para o Brasil investir em
infraestrutura.

As autoridades brasileiras acrescentaram que este valor é só o começo.

A China tem interesses geopolíticos fortíssimos em investir em
infraestrutura no Brasil, porque ela quer garantir aqui a sua
segurança alimentar.

Ela quer construir uma ferrovia bioceânica ligando o Brasil ao
Pacífico, para que ela possa transportar mais rapidamente os alimentos
que importa do Brasil.

E não é apenas soja, não.

Após os acordos fechados recentemente entre os governos de Brasil e
China, a China está em vias de se tornar a maior compradora de carne
brasileira. E carne dá muito mais dinheiro do que soja.

Se o Brasil já fatura 20 bilhões de dólares por ano vendendo soja crua
para a China, imagina o quanto não pode faturar com carne?

A corrente de comércio entre Brasil e China totalizou US$ 48 bilhões
de janeiro a agosto deste ano, com um saldo a nosso favor de US$ 3
bilhões.

Nos últimos anos, a China tem sido o nosso principal parceiro comercial.

Mesmo assim, a nossa imprensa parece ter esnobado os US$ 53 bilhões da China.

Os jornalões brasileiros só querem saber de escândalo, Lava Jato,
contas de Eduardo Cunha. Obecada por golpe, a mídia brasileira parece
ter se esquecido da própria economia nacional.

Nenhum dos jornais ou canais de TV investiu em infográficos e vídeos
sobre a ferrovia bioceânica, e as oportunidades – econômicas,
políticas, culturais – que ela abriria para o Brasil, visto que
materializaria o sonho de Simon Bolívar de integrar a América Latina.

O Brasil, em meio a uma crise econômica, num delicado momento da
economia global, vai esnobar o ouro de Pequim?

Não é possível que o viralatismo tenha degenerado a tal ponto o
caráter da nossa burguesia que ela não queira o dinheiro da China, por
algum tipo de preconceito político!

Os americanos não tem preconceito nenhum contra a China. Por que a
gente teria?

Os EUA já usaram e abusaram da China.

A China tem mais de 1 trilhão de dólares aplicados em títulos públicos
do Tesouro Americano. É quase um terço de toda a dívida pública
americana.

Ou seja, a China meio que comprou – pagando em cash – a sua entrada no
mundo capitalista.

E agora quer investir no Brasil para garantir, por alguns milhares de
anos, segurança alimentar para seus habitantes.

Para o Brasil, é uma oportunidade histórica de captar os recursos
necessários para aprimorar a nossa infraestrutura.

Precisamos, para usar uma expressão maoísta, dar o Grande Salto para a
Frente, que seria, de um lado, cruzar o Brasil de ferrovias modernas,
ligando capitais, e ligando os mercados latino-americanos entre si; de
outro, construir malhas ferroviárias (metrôs, trens e VLTs) em nossas
grandes cidades.

A China pode nos ajudar. Ela tem o dinheiro, o interesse geopolítico,
1 bilhão e meio de estômagos pra alimentar, o know-how, a tecnologia.

Isso não atrapalhará em nada nossas relações com EUA e Europa. Muito
pelo contrário. A saída para o Pacífico facilitará nossas exportações
para a costa oeste dos Estados Unidos; e nos dará acesso a esta nova
grande figura geopolítica que alguns estão chamando de Eurásia (Europa
+ Rússia + Ásia).

Se os EUA quisessem investir US$ 50 bilhões em ferrovias no Brasil,
seriam bem vindos!

Abaixo, uma entrevista exclusiva que eu fiz há alguns dias com um dos
maiores especialistas brasileiros em China, Evandro Menezes de Carvalho.

Evandro escreve livros sobre a China. Produz relatórios e memorandos
sobre a situação no Brasil para a alta cúpula do governo chinês. Mora
na China há alguns anos, como professor/pesquisador/palestrante
convidado nas mais importantes universidades chinesas.

Nessa entrevista, Evandro dá uma aula magna sobre a China. Ele explica
que, no país, há uma integração entre universidade, governo e mercado.
O governo e os agentes econômicos usam as universidades para se
abastecer de projetos e inteligência.

Eu conheci Evandro através de um grupo whatsapp do qual participamos.
Descobri ainda que ele possui um blog muito bom sobre a China, o qual
inclusive já inseri na seção Blogs Seletos, na coluna lateral.

***

O Cafezinho: Boa noite, Evandro. O que você faz na China, como chegou
aí, quanto tempo está aí, quanto tempo mais vai ficar?

Evandro: Eu vim pra cá inicialmente por ter sido selecionado como
Senior Scholar no âmbito do Programa OEA e China Scholarship Council.
Num primeiro momento fiquei vinculado à Faculdade de Direito da
Universidade de Shanghai de Finanças e Economia. Em seguida recebi o
convite para ser professor visitante do Center for BRICS Studies da
Universidade Fudan. Estou aqui há quase três anos. Este é meu último
ano.

OC: Você dá aula de direito aí?

Evandro: Faço pesquisas mais voltadas para as instituições
jurídico-políticas da China e a relação bilateral com o Brasil. Tenho
alguns compromissos de dar palestras sobre temas específicos. A
maioria relacionados ao Brasil e ao BRICS. Também tive a oportunidade
de participar de vários seminários. Aliás, o circuito acadêmico aqui é
intenso e circula gente do mundo inteiro.

OC: Há alguns meses o primeiro escalão da China veio ao brasil em
visita oficial. A China prometeu 53 bi de dólares pra infra estrutura.
E isso num momento que precisamos tanto. Estranhamente não se ouve
mais nada sobre isso na mídia. Qual sua opinião sobre isso?

Evandro: A visita do Primeiro Ministro chines Li Keqiang ao Brasil,
com o anúncio de investir 53 bilhões, evidenciou que o nosso país é um
parceiro de fato estratégico. Em menos de um ano, as duas maiores
autoridades chinesas vieram ao Brasil. No ano anterior o Presidente Xi
Jinping esteve em Fortaleza para a Cúpula dos BRICS, onde anunciaram a
criação do Novo Banco de Desenvolvimento. Estamos falando de
iniciativas concretas que impactam positivamente a nossa economia. A
relativa indiferenca com que estes fatos são tratados pela mídia se
deve a diversos fatores, sendo o principal deles a persistência de uma
mentalidade típica do período da Guerra Fria, como se a China ainda
fosse uma ameaça. A China não é uma ameaça para nós. Ao contrário. E
este discurso de haver uma ameaça chinesa serve a outros interesses.
Se não estivermos preparados, qualquer país será uma “ameaça”. E
quanto a China, ela pode ser uma grande parceira.

OC: Quais as melhores fontes de informação sobre política, economia e
cultura na China, em inglês?

Evandro: A China tem inúmeras empresas de comunicação que publicam
jornais e revistas em inglês. Há o jornal China Daily e o Global Times
que são boas fontes. A revista China Today é muito boa também. Ela
agora é publicada no Brasil, em português, com o nome China Hoje. O
China Daily tem agora uma edição para a América Latina, mas em inglês
e é quinzenal. Alem disso há o site, em português, da Radio China
Internacional que é bom também. Na internet pode-se ter acesso a CCTV
News, canal estatal de notícias da China. Há muitas outras fontes.
Estas são as que eu mais gosto.

OC: E como os chineses se informam sobre o Brasil, você sabe?

Evandro: Eles tem correspondentes no Brasil. A Xinhua News, a Radio
China Internacional, a CCTV, o People’s Daily etc. todos tem
correspondentes no Brasil. O Brasil tinha apenas um correspondente e
que era da Folha de São Paulo. E já não está mais na China. Ou seja,
eles estão mais interessados em saber sobre nós do que nós sobre eles.

OC: Esses jornais e revistas são estatais, né?

Evandro: Sim, são.

OC: Tem algum telejornal pela internet que você conhece?

Evandro: Sim, a CCTV tem inúmeros canais online. É o principal. E há
outros canais de tv das províncias. E os chineses adoram sites de
filmes. São também sites chineses.

OC: Se um sujeito tivesse que escolher cinco livros para ler sobre a
China, quais você indicaria ?

Evandro: Há inúmeros livros no mercado hoje. Kenneth Lieberthal e
Jacques Gernet são uma boa introdução.

OC: Que cidades você conheceu aí na China? Como é a mobilidade urbana
nelas, em comparação à outras cidades do mundo?

Evandro: Conheci algumas cidades: Shanghai (onde moro), Beijing,
Nanjing, Chongqing, Hanzhou, Suzhou, Beihai, Jinan, Nanning… As
grandes cidades tem um sistema de transporte público muito bom. Quando
cheguei em Xangai havia 13 longas linhas de metro. Em dois anos
construiram mais duas. Além disso, sempre há vias para as bicicletas e
motos elétricas. Mas a quantidade de carros aumenta. Alguns governos
municipais já estão tomando algumas medidas. Em Xangai, o preço da
placa do carro é quase o preço do próprio carro.

Esqueci de mencionar Chengdu, que é muito bacana. Hong Kong e Macau também.

OC: A vida aí é cara? Quanto custa jantar em um restaurante?

Evandro: A vida em Xangai é cara. O aluguel aqui compete com o Rio. O
cambio era 3 yuan pra 1 real, agora são 2 pra 1. Alimentação é muito
próximo dos padrões das capitais do Brasil. Mas Xangai é Xangai. Aqui
tem muita riqueza. Mas em outras cidades da China o custo de vida é
bem mais baixo.

Evandro: O chinês gosta muito de compartilhar a mesa com familiares e
amigos. A cachaça deles é o “baijiu” feito do arroz. Teor alcoólico
alto. Tomar um baijiu com eles é sinal de que você é cobsiderado un
amigo. Melhor ainda se vc ficar bêbado. Sinal de total transparência.

OC: Voltando aos 53 bi que a China quer investir no Brasil, na
ferrovia bioceânica, em hidrelétricas, de vez em quando alguém
manifesta apreensão de que isso poderia implicar em precarização de
mão de obra, outros temem algum tipo de imperialismo chinês. Enfim,
diga com sinceridade, em que deveríamos tomar cuidado para que esse
dinheiro venha e isso não nos prejudique?

Evandro: Devemos ter cuidado com nós mesmos e não com os chineses. O
desvio de verba, uma burocracia pesada que tudo dificulta, a falta de
planejamento, de capacidade de execução etc. Tudo isto nos prejudica.
Os chineses não são problema.

OC: Você acha que o maior obstáculo então pra esse dinheiro chinês se
materializar em obras no Brasil está aqui mesmo? Por parte da China,
eles estão mesmo querendo fazer a ferrovia bioceânica? E outras obras?

Evandro: Sim, estão. E já estão acionando os centros de pesquisa deles
para compreender todo o cenário, os riscos a se evitar e as
oportunidades a se desenvolver. Este é um aspecto que os centros de
pesquisa e universidade deviam ficar atentos. Tem recursos pra isso
vindo da China. Mas parece que estamos todos cegos para estas
oportunidades.

OC: Como é esse negócio de “comunismo de mercado”. O chinês pode abrir
livremente um negócio qualquer numa cidade? Há financiamento para isso?

Evandro: A abertura econômica da China começou com Deng Xiaoping e,
desde então, dá passos seguidos nesta direção. As empresas estatais
competem entre si e, cada vez mais, há grandes empresas privadas, como
Alibaba e o Wanda Group. O governo de Shanghai está estimulando a
criação de start ups. O chines pode abrir seu negocio sim. O comercio
está na veia do chinês. Recentemente o governo de Shanghai facilitou
visto para jovens estrangeiros que concluíram a graduação aqui e
queiram abrir seu próprio negocio. Além disso, o governo tem criado
varias zonas francas onde os preços de tudo são baixísimos.

A China acompanha e controla atentamente a presença de empresas
estrangeiras aqui. Mas elas não param de vir e investir na China. A
presença brasileira é que é muito incipiente. Só na cidade de Taicang,
há 1 hora de Xangai, há mais de 200 empresas alemãs. Isto mostra bem a
dimensão do interesse pelo mercado chinês.

OC: Há muita pobreza nas grandes cidades?

Evandro: Quase 1/3 do mercado de luxo do mundo está sendo consumido
pelos chineses. As marcas de luxo estão por todos os lados em Xangai.
O capitalismo está presente. Porém, ainda se vê alguns pedintes nas
ruas, em algumas entradas de metrô. Mas não é algo generalizado. No
geral não se vê pobreza nas grandes cidades como parte inevitável e
indissociável delas. No entanto, a China é um pais em desenvolvimento.
Apesar de ter tirado centenas de milhões da pobreza, ainda tem um
longo caminho pela frente para se tornar de fato um país desenvolvido.

OC: Há dados independentes sobre a aprovação do governo? E sua
sensação pessoal? Os chineses que você conheceu, são otimistas em
relação a China? Aprovam as políticas do governo?

Evandro: Os chineses aprovam o governo de Xi Jinping. Nunca viveram
situação econômica igual. E acho que são otimistas. Eles tem um certo
sentido de pertencimento como nação. Aspiram por uma vida melhor e
estão diariamente lutando por isto. Ha obstáculos sim. Ha corrupção
também. Mas onde não tem? E apesar disto, os chineses seguem firme na
luta diária querendo uma vida melhor.

OC: Você mencionou a existência de uma vida acadêmica intensa aí na
China. Também falou em recursos disponíveis para centros de pesquisa
no Brasil. Pode falar um pouco mais sobre essas duas coisas?

OC: Aqui governo, empresas e universidades caminham na mesma direção.
Explico. O governo sempre consulta os principais centros de pesquisa
quando quer iniciar ou avaliar uma política pública. E as empresas,
maioria estatais, atuam para alcançar objetivos maiores, de interesse
do Estado. A vida acadêmica está, portanto, em estreita conexão com os
grandes temas de interesse nacional. Participam por meio das pesquisas
e seminários, e ainda que indiretamente, dos processos decisórios e da
vida nacional. Diferente do Brasil onde governo, empresa e academia
não se comunicam bem. É cada um para um lado, fazendo o que quer e
como bem entende, sem prestar atenção numa agenda maior, na busca do
interesse nacional. O governo chinês tem despejado recursos nas
universidades. As universidades estrangeiras de países com quem a
China tem relação estratégica, souberam aproveitar a oportunidade e
fizeram boas parcerias. Mas no Brasil continuamos a olhar apenas para
a América do Norte e a Europa. O pesquisador está pouco disposto a ir
para um país distante como China, Rússia, África do Sul, Turquia, ou
países árabes. Sem falar no fato de que mal conhecemos a própria
América do Sul.

OC: Obrigado !

Evandro: Foi um prazer. Eu que agradeco!

 

 

CHAMADA PARA CIÊNCIAS HUMANAS E TECNOLOGIAS: 13/10-11/11/2015

PROFESSORA MÁRCIA FERREIRA COMUNICA:

Chamada CNPq/ MCTI Nº 25/2015 Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas
A presente chamada pública tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. As propostas devem observar as condições específicas estabelecidas na parte II – Regulamento, anexo a esta chamada pública, que determina os requisitos relativos ao proponente, cronograma, recursos financeiros a serem aplicados nas propostas aprovadas, origem dos recursos, itens financiáveis, prazo para execução dos projetos, critérios de elegibilidade, critérios e parâmetros objetivos de julgamento e demais informações necessárias.

“A pedido da profa. Diana Vidal, repasso (boa) notícia de interesse geral.

“Acaba de ser publicada a Chamada CNPq/ MCTI nº 25/2015 – Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas:

http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas;jsessionid=9DDFC96EC1BFC243E6093E9C3AD83940?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&filtro=abertas

São apenas R$ 2 milhões para a chamada. Prazo de inscrição: 13/10 a 11/11/2015. Avaliação das propostas: de 23 a 27/11/2015. A contratação das propostas apoiadas está prevista para dezembro-2015.”

Ressalto que este edital decorre de uma solicitação de nossa grande área (CHSSA) e que a distribuição dos recursos está associado à demanda qualificada.
Deste modo, é altamente recomendável haver uma alta demanda de nossa área, em especial de pesquisadores vinculados aos programas 3 e 4, por meio da submissão de projetos bem elaborados e consistentes.

A pedido da profa. Diana Vidal, repasso (boa) notícia de interesse geral.

Ressalto que este edital decorre de uma solicitação de nossa grande área (CHSSA) e que a distribuição dos recursos está associado à demanda qualificada.
Deste modo, é altamente recomendável haver uma alta demanda de nossa área, em especial de pesquisadores vinculados aos programas 3 e 4, por meio da submissão de projetos bem elaborados e consistentes.

Quem aprende na política? Debate de Boaventura de Souza Santos

 

 Boaventura de Sousa Santos
Outubro 2015
A Esquerda Também Aprende
Tudo leva a crer que a esquerda portuguesa começou a entender que o ciclo
político iniciado com a Revolução de 25 de Abril de 1974 está a terminar e que
todos juntos talvez sejam suficientes para inverter o processo de decadência
estrutural que a coligação de direita iniciou com a ajuda da troika. No sentido que
lhe atribuo, decadência significa divergência progressiva, em vez de convergência
progressiva com o rendimento médio europeu e os indicadores sociais que lhe
estão associados. A prazo, se houvesse convergência, os jovens portugueses teriam
tanta necessidade de emigrar como os jovens alemães ou finladeses. Está em curso
o processo oposto.
Não é ainda claro o que cada partido aprendeu. O Partido Socialista (PS),
com 32% dos votos contra 36% da coligação de direita, começou a aprender que
quanto mais se parecer com a direita menos a direita precisa dele e menos precisam
dele os cidadãos e cidadãs que, inconformados com as políticas de direita,
começam a identificar alternativas à esquerda. Se aprender esta lição, terá
igualmente que aprender que vai ser necessário organizar alguma rebeldia a nível
europeu, com sabedoria e aliados europeus. Sem renegociação/restruturação da
dívida e com o actual Tratado Orçamental, a decadência é fatal com ou sem
exercícios fantasiosos de macro-económia. Aprenderá? Não esqueçamos que a
ignorância estrutural no PS é muito alta. Só isso explica que Francisco Assis,
2
dirigente da ala direita do partido, esteja à espera que o partido lhe caia nas mãos.
Se isso acontecer, terá o triste privilégio de ser o coveiro do PS.
O Bloco de Esquerda (BE), com 10% dos votos, e o Partido Comunista
Português (PCP), com 8% (ambos a crescerem mas o BE a crescer dramaticamente
e a ultrapassar pela primeira vez os comunistas), aprenderam que os portugueses
lhes deram demasiados votos para poderem ser apenas votos de protesto. Os
portugueses querem soluções governativas de esquerda e contra a austeridade. Mas
para poderem fortalecer uma alternativa política, os dois partidos deveriam
entender-se entre si e não apenas cada um deles com o PS. Aqui a história pesa
muito.
O novo Partido Livre (PL), constituido em grande medida por dissidentes
do BE, não conseguiu eleger ninguém. Mas com o PL a esquerda também
aprendeu. O Livre foi uma presença talvez passageira mas salutar no panorama
político português porque introduziu duas inovações, uma programática e outra
organizativa. No plano programático, foi a primeira força política, depois do 25 de
Abril, a pôr a unidade de esquerda no centro da sua agenda política, uma unidade
assente em bases programáticas credíveis. Foi a única força política que abraçou
convictamente a democracia directa e participativa na eleição dos seus candidatos e
se articulou de modo não proprietário com movimentos sociais autónomos, como
foi o caso do Movimento de Cidadãos por Coimbra (CPC). Em geral, e salvo
situações de total descrédito das forças políticas dominantes (como recentemente
em Espanha), as grande inovações políticas não são bem acolhidas em processos
eleitorais, dominados por rotinas, lealdades e aparelhos. Mas o facto de não
beneficiarem quem as introduz não quer dizer que se percam. A inovação
programática introduzida pelo Livre foi responsável pela mudança estratégica (e
não apenas táctica, ao que parece) do BE no sentido de, já na campanha eleitoral,
3
se abrir a uma aliança com o PS que no passado parecia ser o seu inimigo
principal. Trata-se de uma aliança condicionada por linhas vermelhas, mas, mesmo
assim, uma disponibilidade nova.
O Livre conseguiu impor parte da sua agenda, mas poderá aprender com a
sua vitória? Para isso, deveria dissolver-se em nome da unidade de esquerda por
que lutou desde que se realizassem as seguintes condições: o BE mostra que a
unidade de esquerda é, para os tempos que se aproximam, a melhor decisão
estratégica; adopta a inovação organizacional do Livre, a democracia directa no
interior do partido, acabando de vez com vanguardismos, leninistas ou não;
mostra-se disponível para acolher os activistas do Livre, a grande maioria deles exmilitantes
ou ex-simpatizantes do BE, se estes assim o entenderem; a direção do
Livre põe à discussão nas suas bases, votantes e simpatizantes, a hipótese da
dissolução nas condições referidas, e o voto é pela dissolução. Qualquer que seja o
resultado, será um momento alto de pedagogia política de esquerda. Se a decisão
for a não dissolução, o Livre terá um mandato mais forte para continuar. Se o Livre
se dissolver, os movimentos sociais que se articularam com ele nada têm a perder.
O CPC, por exemplo, continuará a sua luta por resgatar Coimbra das oligarquias
políticas medíocres e corruptas que a têm destruído. Em próximos períodos
eleitorais serão os partidos a necessitar do CPC, e não o contrário.

Boaventura de Souza Santos

 
Livros recentes. Libros más recientes. Recent books. Derniers livres.
If God Were a Human Rights Activist (Stanford University Press, 2015); Epistemologies of the South. Justice against Epistemicide (Paradigm Publishers, 2014); Revueltas de Indignación y Otras Conversas (La Paz, 2015); O Direito dos Oprimidos (Editora Almedina/Editora Cortez, 2014); A Justiça Popular em Cabo Verde (Editora Almedina/Editora Cortez, 2015).

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
Janeiro-Julho (January-July)
Centro de Estudos Sociais
Colégio de S. Jerónimo
Apartado 3087
3000-995 Coimbra, PORTUGAL
Tel.: (351 – 239) 855582
Fax: (351 – 239) 855589

Agosto-Dezembro (August-December)
University of Wisconsin-Madison
Law School, 975 Bascom Mall
Madison, WI 53706
E.U.A
Phone: (1- 608) 263 7414
Fax: (1 – 608) 262 5485

EMAIL: bsantos@ces.uc.pt

http://www.boaventuradesousasantos.pt

Alice project: http://alice.ces.uc.pt

http://www.ces.uc.pt

Defesa da Dissertação “Marcha das Vadias” da Jorn. Marisa Helena Martins Batalha

Jornalista Marisa Batalha

Jornalista Marisa Batalha

CELSO PRUDENTE

ORIENTADOR DO TRABALHO CELSO LUIZ PRUDENTE

Celso Prudente
ORIENTADOR DO TRABALHO CELSO LUIZ PRUDENTE  

No Sábado pela manhã tivemos a defesa da dissertação da Jornalista MARISA HELENA MARTINS BATALHA. Seu orientador de Mestrado foi o Professor CELSO LUIZ PRUDENTE, professor do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso e o tema da dissertação de Marisa foi “Marcha das Vadias – corpo e identidade – feminismo na contemporaneidade”. A BAnca foi formada sob a presidência do Professor Celso, pelo professor AMÍLCAR MARTINS (Universidade Aberta-Portugal (UAb), Professora MÁRCIA DOS SANTOS FERREIRA e eu – LUIZ AUGUSTO PASSOS. A defesa contou com a bela homenagem ao Professor AMÍLCAR MARTINS que, pela impossibilidade de poder se fazer presente, enviou seu parecer, lido de maneira proclamada como se fora um “PREGÃO” clássico, que teria merecido tambores ( e poderiam ter sido os tambores peronistas da Argentina e Africanos! )….pelo professor Celso.

*

Gravei, EM VÍDEO,  a Proclamação do parecer que buscarei compartilhar assim que puder dominar a tecnologia do meu improviso de gravação. Valerá à pena conhecê-lo. Contudo, já publico aqui o envio do Parecer, escrito. O professor Amílcar entrou em contato telefônico, no mesmo dia, com Professora Márcia, também curioso de como seriam os procedimentos nossos…

*

Todos, NÓS  do Programa de Educação Mestrado e Doutoradoagradecemos e muito sua participação cuidadosa, e de reconhecimento do trabalho de pesquisa de Marisa Batalha, que todos conhecem pela luta, vontade, gana e coragem. E, agora, também como artista plástica e pesquisadora acadêmica. Passo a publicar o parecer de Professor Amilcar, ele também escritor, teatrólogo, poeta e cineasta de obra imemorável, que possui raízes em AUGUSTO BOAL.

*

O conjunto de fotografias mostra, abaixo, presente de branco de Oxalá, o grande artista de renome e obras que circulam nos grande museus internacionais, ele, cuiabano, ELIAS DE PAULA  com o seu amigo de produção, outro Cuiabano lindíssimo, CLÓVIS IRIGARAY, cuja pintura também publico, fotografada por DULFLAIR BARRADAS, na produção da pintura que havia a eles, solicitado, para o Prêmio de Justiça e Direitos Humanos D. Pedro Casaldáliga, hoje nas mãos do D. Pedro, e enviado Ao Santuário dos Mártires da Caminhada, em Ribeirão Cascalheira (MT) no qual se celebra o martírio-denúncia e memória do assassinato do Padre João Bosco Burnier, em lugar de D. Pedro Casaldáliga, por engano. Importante ainda mencionar que este quadro faz parte de um curta metragem nominado TRAÇOS DE PAZ, sob direção de Celso Luiz Prudente e na fotografia Duflair Barradas, na qual os dois pintores compartilham a produção do quadro, magnificamente apreendida em função de um curta metragem no qual é possível sentir a emoção de uma produção poética destes dois autores, no desenho e pintura do quadro. ELIAS DE PAULA veio prestigiar à Marisa, Professor Celso e a todos nós seus amigos.

foto da Tela_premio_dom_pedro de ELIAS DE PAULA E CLOVIS IRIGARAY

foto da Tela_ de DUFLAIR BARRADAS para Premio_Dom_Pedro Casaldáliga de ELIAS DE PAULA E CLOVIS IRIGARAY

Cuiabá, 31/08/2015.

Luiz Augusto Passos

Abaixo o parecer na íntegra do professor Dr. Amilcar Martins à dissertação de Marisa Helena Batalha.

https://drive.google.com/file/d/0B6rf_14SyidKOC1BWVkwUS1DVVk/view?usp=sharing

 

 

Elias de Paula

Elias de Paula artista e pintor internacional abaixo uma obra sua com Clóvis Iriragaray: "Pedro Casaldáliga - Prêmio Justiça e Direitos Humanos

DO MÚSICO, POETA E MÍSTICO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO ZÉ VICENTE…

Zé Vicente, Edna e Passos na Caminhada dos Mártires

Zé Vicente, Edna e Passos na Caminhada dos Mártires

Recado do meu guru teológico e melódico: Zé Vicente… DIZ ELE:

“Para este final de 25 de agosto, orem, cantando comigo ‘HUMANA PRECE”, música que me marcou ao compor e ao grava-la no CD ZÉ VICENTE DA ESPERANÇA,pela COMEP-Paulinas”. Zé Vicente.

Amigo querido….

Lindíssima canção. Não foram poucas as vezes que escutei durante o dia, nos trajetos que fiz.

E tenho o CD que ganhei de você, aí no teu lugar o SERTÃO VIVO! Experiência linda da natureza de tudo, todos e todas. Este CD é sua presença que sempre me acompanha, Zé!

Para mim é inigualável não apenas esta música, mas todas elas nas quais você, seu povo e os pobres e oprimidos, são sinais da presença amorosa e alegre de um Deus, que se fez gente. Compartilho com todos o todas, essa canção, mas todas elas, estão cheias de uma espiritualidade da terra e do mundo. Vocês, meus amigos, poderão ter acesso a esta canção, juá divulguei outras tantas, do Zé Vicente! Mas, o derradeiramente importante, Zé, é que o hinário e as músicas presentes e divulgadas, não são as suas…. Há movimentos no Brasil que excluíram você, eras demasiado incômodo para os ascetas, para os movimentos da teologia da prosperidade, e sobretudo tão duro de engolir como o Papa Francisco! A mesma igreja, de mutas denominações que não engolem o Papa, não engoliram Jesus, nem a você, menino de Deus! Estamos em um momento que a mística é perigosa demais…. Deixa Jerusalém e vai para Belém!

Sua teologia é da comunidades eclesiais de Base, TEOLOGIA de gente grande, que cresceu na fé, precisa de alimento mais forte para os desertos, para as lutas por territórios, por liberdade, por democracia, Zé Vicente, meu poeta místico e profeta, cuja experiência de Deus compartilhas em música e canto com a gente, um Deus, desse quilate, também muito desconhecido e abandonado….

Que grandeza teológica, precedeste em muito os apelos do Papa Francisco.

Parabéns pelo CD, Zé Vicente… Lindo, é o ADORO-TE clássico da Igreja…

MASSSSSSS….

Prestem atenção no conteúdo da frase lindíssima e completamente arrasadora em VERDADE acerca de DEUS, de um poeta, compositor e intérprete, de um Deus que está em tudo e nas coisas…

“Humana prece, a ti, meu Deus, estás ali no altar, e muito além do que se vê! Humilde súplica a quem tem fé, pra gente só lembrar que Deus é mais e é bem maior, do que qualquer igreja, religião, do que todas ciência, ou estado ou nação… Tu fazes respeitar o novo, e a semente, em cada semelhante, ó Deus mistério, o Deus presente!” (Zé Vicente)

UM BEIJO NO CORAÇÃO PELO PRESENTE

Luiz Augusto Passos